659 16/01/2021 às 08:00

Nas redes sociais, cresce pressão por impeachment de Bolsonaro; Maia diz que "será debatido de forma inevitável no futuro"

Redação Em Dia ES

Aumentando a pressão popular, Bolsonaro foi alvo de panelaços na noite desta sexta-feira (15), devido ao descaso diante da segunda onda na Covid-19 no país, em especial acerca do caos em Manaus
Nas redes sociais, cresce pressão por impeachment de Bolsonaro; Maia diz que "será debatido de forma inevitável no futuro". Grafite: Aira Ocrespo
Com a repercussão do colapso no sistema de saúde em Manaus, que enfrenta um problema de escassez de oxigênio nas redes públicas e privadas de hospital provocadas pela pandemia do novo coronavírus, cresce a pressão nas redes sociais para que autoridades tomem providências contra o presidente Jair Bolsonaro, responsabilizado pelos internautas pelo problema devido ao seu discurso negacionista com relação ao vírus.

Nesta manhã de sexta-feiraj (15/1), entre os dez assuntos mais comentados no Twitter, sete são referentes ao problema em Manaus, sendo o primeiro a hashtag "#ImpeachmentBolsonaroUrgente". 

O ex-governador do Ceará e candidato à Presidência da República em 2018, Ciro Gomes (PDT), classificou o presidente Jair Bolsonaro de "genocida" e comentou que "enquanto nossos irmãos e irmãs de Manaus morrem sem oxigênio, Bolsonaro insiste em indicar medicamentos sem eficácia comprovada".

O líder do PT na Câmara, Enio Verri (PR), foi adepto da hashtag e afirmou que a ausência do presidente em Manaus "apenas confirma e reforça que ele não sabe mesmo o que fazer para o bem do Brasil". A pressão nas redes também mira no presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que também figura na lista dos dez assuntos mais comentados no país dentro da plataforma, para que o parlamentar paute o processo de impeachment do presidente Bolsonaro.

A deputada do PSOL, Talíria Petrone (RJ), escreveu que Maia "finge" fazer oposição ao governo pelo Twitter, enquanto "está sentado em mais de 60 pedidos de impeachment". Na quinta-feira (14/1), o presidente da Câmara apontou que a falta de oxigênio em Manaus é fruto de "uma agenda negacionista" e disse ser fundamental que o Congresso retome as atividades na semana que vem.

Rodrigo Maia
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta sexta-feira, 15, que o afastamento do presidente da República, Jair Bolsonaro, do cargo, "de forma inevitável, será debatido pelo Congresso no futuro". Bolsonaro sofre críticas pela condução da pandemia do novo coronavírus, em especial sobre a situação de Manaus, onde se esgotou o oxigênio usado para o tratamento de pacientes graves da covid-19.

Em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, Maia disse, entretanto, que um assunto mais urgente é discutir a situação do País no combate à pandemia do novo coronavírus.

O presidente da Câmara esteve acompanhado do governador João Doria (PSDB) e do candidato à sucessão da Casa, Baleia Rossi (MDB-SP).

Rossi voltou a defender que sua candidatura à Presidência da Câmara não é uma candidatura de "oposição ao governo, mas de independência da Câmara".

"Uma candidatura não pode ter como bandeira, o impedimento do presidente", disse o parlamentar.

Panelaços contra Bolsonaro
Em meio ao alto número de casos e mortes por Covid-19 no Brasil e à falta de oxigênio em hospitais de Manaus (AM), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi alvo de panelaços em várias cidades do país na noite desta sexta-feira (15). Houve registros de protestos também em bairros de Vitória e Vila Velha.

Venezuela
A ajuda da Venezuela ao Estado brasileiro, anunciada pelo ministro das Relações Exteriores daquele país, Jorge Arreaza, nesta quinta-feira, também é comentada por usuários. Na rede, usuários destacam a ajuda recebida do país vizinho, que é duramente criticado pelo presidente Bolsonaro devido a seu modelo de governo e econômico.

Durante uma de suas "lives" semanais, em outubro do ano passado, Bolsonaro criticou Venezuela, Cuba e Argentina. Segundo o presidente, as economias dos três países vão mal por terem optado pelo socialismo. "Tudo por optarem por um regime que não dá certo em lugar nenhum do mundo, o socialismo. O Brasil correu sério risco há pouco tempo, no meu entender", afirmou.
 
 
 

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