362 06/01/2021 às 19:00 - última atualização 06/01/2021 às 20:23

Manifestantes pró-Trump invadem Congresso dos EUA contra certificação da vitória de Joe Biden

Redação Em Dia ES

Invasão ocorreu durante sessão de contagem dos votos do Colégio Eleitoral na eleição americana, que deu vitória a Joe Biden. Momentos antes, Donald Trump discursou aos apoiadores afirmando que não aceitaria o resultado eleitoral
Manifestantes pró-Trump são vistos dentro do Capitólio, em Washington — Foto: Manuel Balce Ceneta/AP
Um grupo de apoiadores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, invadiu nesta quarta-feira (6) o Capitólio, sede do Congresso americano em Washington, durante a contagem oficial dos votos do Colégio Eleitoral definidos nas eleições presidenciais de novembro, que deram vitória a Joe Biden.

Membros da Câmara dos Deputados foram escoltados por policiais do local onde estavam debatendo depois que parlamentares alinhados a Trump contestaram os resultados da eleição --um esforço que muito provavelmente não terá sucesso. O Senado teve as atividades suspensas abruptamente e o vice-presidente Mike Pence, que havia presidido uma sessão conjunta do Congresso, foi escoltado para fora do plenário.

A Polícia do Capitólio disse aos parlamentares na Câmara para tirar máscaras de gás debaixo de seus assentos e se preparar para colocá-las. Agentes na porta da frente do local deixavam as armas em punho quando alguém tentava entrar no local.

Agentes ordenaram que as pessoas na Câmara se jogassem no chão para sua segurança.

As cenas caóticas aconteceram depois que Trump se dirigiu a milhares de apoiadores em ato perto da Casa Branca, repetindo suas alegações infundadas de que a eleição foi roubada dele devido a uma fraude generalizada.

Autoridades eleitorais de ambos os partidos e observadores independentes disseram que não houve fraude significativa na eleição de 3 de novembro, que Biden venceu por mais de 7 milhões de votos na disputa popular nacional.

Semanas se passaram desde que os Estados concluíram a certificação de que Biden, um democrata, venceu a eleição por 306 votos do Colégio Eleitoral contra 232. As contestações de Trump à vitória de Biden foram rejeitadas por tribunais de todo o país.

A certificação no Congresso, normalmente uma formalidade, tinha previsão de se estender por várias horas, conforme alguns parlamentares republicanos se esforçavam para rejeitar algumas contagens estaduais, começando pelo Arizona.

Fora do Capitólio, membros de grupos de milícias e grupos de extrema-direita, alguns com armaduras corporais, misturavam-se à multidão. Manifestantes gritando slogans pró-Trump derrubaram barricadas e entraram em confronto com a polícia.

No Twitter, Trump pediu aos manifestantes no capitólio que permanecessem pacíficos.

A prefeita de Washington D.C., Muriel Bowers, ordenou um toque de recolher em toda a cidade a partir das 18h (20h no horário de Brasília).

“Nossa democracia está sendo atacada”, diz Joe Biden
O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, fez um discurso nesta quarta-feira (6) após a invasão de manifestantes pró-Trump no Capitólio em Washington (EUA).

“Nossa democracia está sendo atacada, um ataque aos representantes do povo (…) As cenas de caos não refletem a América verdadeira. O que vimos foi um pequeno número de extremistas. Isto é desordem, é o caos. Eu peço para que esta multidão se retire”, disse Biden.

O democrata ainda disse que “as palavras de um presidente podem inspirar ou, na pior das hipóteses, incitar” e pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que se manifeste e peça o fim para este cerco.

“Isto não é protesto, é insurreição. Eu estou chocado e triste que nossa nação, farol da democracia, tenha chegado em um momento tão triste”, afirmou Biden.

Mulher é baleada e morre durante invasão

Uma mulher que foi baleada durante os confrontos entre manifestantes que invadiram o Capitólio, em Washington DC, nesta quarta-feira (6) e policiais morreu, segundo fontes policiais ouvidas pela emissora NBC.

Mais cedo, o jornal “Washington Post” afirmava que ela tinha sido atingida no ombro. Outros veículos de imprensa diziam que ela estava em estado crítico, sem identificar a origem da informação.

"Mulher branca, baleada no ombro", disse um dos atendentes que a levou a uma ambulância com paramédicos que chegou ao local para prestar socorro, de acordo com o Washington Post. Policiais do Capitólio abriram caminho para que o veículo se aproximasse.

Diversos relatos na imprensa já falavam de uma mulher gravemente ferida, retirada ensanguentada de dentro do salão onde ocorria a sessão que iria certificar a vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais de 2020.

Manifestantes pró-Trump, que não aceitam o resultado, interromperam a sessão ao invadir o local. Deputados e senadores foram retirados do prédio pouco antes da invasão.

Em mensagem nas redes sociais, o presidente Donald Trump pediu que os manifestantes protestassem "pacificamente" e que confiassem nas forças de segurança americanas. Entretanto, momentos antes, houve vandalismo e confrontos durante a tentativa de invasão, quando os manifestantes pró-Trump conseguiram ultrapassar as barreiras de segurança e entrar no Capitólio.

Por causa dos confrontos, a prefeita de Washington, Muriel Bowser, declarou toque de recolher na cidade a partir das 18h (locais, 20h de Brasília). A medida ficará em vigor por 12 horas. A prefeitura também fechou os centros de testagem para a Covid-19 até amanhã.

O governador de Virginia, Ralph Northam, declarou estado de emergência e também estabeleceu um toque de recolher a partir das 18 horas nas regiões de Arlington e Alexandria, que ficam nas proximidades de Washington DC.

No final da tarde, o chefe de polícia de Washington DC, Robert Contee, disse que 13 pessoas tinham sido detidas por causa dos distúrbios no Capitólio. Destas, três eram de Arlington, Virginia, e as demais de fora da região de Washington.

“Um motim foi declarado. Ficou clara a intenção da multidão em ferir nossos policiais”, disse Contee.

Estado crítico
Segundo a CNN, um homem de 24 anos que estava escalando um andaime na fachada oeste do prédio do Capitólio caiu de uma altura de mais de 9 metros e foi transportado a um hospital em estado crítico.

Sob pressão, Pence diz que não tem poder para mudar resultado
Dois aliados do presidente Donald Trump, o vice-presidente Mike Pence e o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, rejeitaram nesta quarta-feira (6) mudar o resultado das eleições presidenciais dos Estados Unidos vencidas pelo democrata Joe Biden.

Os dois participam nesta tarde da sessão conjunta no Congresso para a contagem dos votos do Colégio Eleitoral. Biden venceu com 306 votos, contra 232 de Donald Trump.

Parlamentares podem contestar o resultado dos estados e levar a rejeição dos votos aos plenários — algo bastante improvável de ocorrer porque os democratas são majoritários na Câmara e porque a tentativa de reversão do resultado encontrou resistência até entre senadores e deputados republicanos.

Após políticos trumpistas apresentarem uma objeção aos resultados do Arizona — tradicional reduto republicano vencido por Biden em novembro —, o senador McConnell fez duro discurso aos colegas de partido.

"Nós [parlamentares] não podemos simplesmente nos declarar um júri eleitoral com esteroides. Os eleitores, os tribunais e os estados todos falaram. Todos falaram. Se passarmos por cima, vamos danificar nossa República para sempre", afirmou McConnell, que foi um dos principais escudeiros do governo Trump no Congresso.

"A eleição não foi nem apertada, na verdade", completou o líder republicano. Pelo Colégio Eleitoral, Biden venceu Trump por 306 votos a 232.

O discurso de McConnell foi feito durante sessão no Senado iniciada após parlamentares republicanos nas duas casas do Congresso apresentarem objeções contra o resultado do Arizona, tradicional reduto republicano vencido por Joe Biden nas eleições de novembro.

Os dois plenários votarão se rejeitam os votos do estado — o que não ocorrerá, porque os democratas são maioria na Câmara e os republicanos trumpistas não conseguirão mais votos no Senado.

Trump insiste na tese de que as eleições presidenciais foram fraudadas e que eleitores em situação irregular votaram. Entretanto, nenhuma prova foi apresentada, e o presidente perdeu todas as tentativas de reverter na Justiça o resultado eleitoral.

Em discurso a uma multidão de apoiadores em Washington nesta quarta, Trump voltou a pressionar o vice-presidente para que rejeite votos do Colégio Eleitoral em estados-chave. Mike Pence, pelo cargo, preside a sessão conjunta de contagem das cédulas enviadas até dezembro pelos 538 delegados.

Porém, em comunicado, Pence afirmou que não tem poder para fazer isso e admitiu que tem papel apenas "cerimonial" na sessão.

"Meu juramento em defender e apoiar a Constituição me impede de proclamar uma autoridade unilateral para determinar quais votos devem ser contados e quais não devem ser", admitiu Pence.
Entretanto, em um aceno à base trumpista, o vice-presidente disse que houve "significantes alegações de irregularidades" e que elas seriam analisadas pelos congressistas. Pence afirmou que acataria a decisão dos parlamentares em votar as objeções.

Após a declaração, Trump criticou o vice-presidente. "Mike Pence não teve coragem de fazer o que era necessário para proteger nosso país e nossa constituição, dando aos estados uma chance de certificar um conjunto corrigido dos fatos, não os fraudulentos e imprecisos que foram certificados anteriormente", escreveu.

Maia, Alcolumbre e outras autoridades criticam invasão ao Capitólio
Políticos brasileiros classificaram o protesto de manifestantes pró-Donald Trump como ato antidemocrático. Um grupo de pessoas invadiu o Capitólio dos Estados Unidos nesta 4ª feira (6.jan.2020), durante a sessão que validaria o resultado das eleições em que o republicano foi derrotado pelo democrata Joe Biden.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a invasão “representa um ato de desespero” e que “o único caminho é a democracia”.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a invasão “representa um ato de desespero” e que “o único caminho é a democracia”.

Membros da oposição recordaram a admiração do presidente Jair Bolsonaro por Trump. Eles disseram que o Brasil corre o risco de passar por situação semelhante, caso o atual chefe do Executivo não seja reeleito em 2022.

ATUALIZAÇÃO: Apoiadores de Trump são retirados do Congresso
Apoiadores do presidente Donald Trump foram retirados por seguranças da sede do Congresso dos Estados Unidos. Influenciados por Trump, o grupo invadiu o local  para protestar contra sua derrota nas presidenciais de novembro, interrompendo a sessão conjunta convocada para certificar a vitória de Joe Biden.

Uma mulher foi baleada durante confronto entre a polícia e os manifestantes. Ela chegou a ser socorrida e encaminhada a um hospital, mas, de acordo com a rede de TV NBC, não resistiu aos ferimentos e morreu. Várias pessoas ficaram feridas, mas o número total ainda é incerto. 

Devido aos protestos, a prefeita de Washington, Muriel Bowser, ordenou um toque de recolher em toda a cidade a partir das 18h locais (20h no horário de Brasília). A medida permanecerá em vigor até as 6h de quinta-feira.

Após a invasão, legisladores declararam um recesso quando iniciavam o processo de confirmação de Biden como o próximo presidente dos EUA.

O congressista Jim McGovern declarou o recesso "sem objeções", batendo o martelo enquanto se ouviam gritos e distúrbios nas galerias públicas.

Funcionários do Capitólio declararam fechadas as instalações e legisladores reportaram no Twitter que estavam refugiados em seus escritórios, enquanto via-se os manifestantes, alguns deles com bandeiras de Trump, caminhando no edifício.

Segundo um congressista, "gás lacrimogêneo" foi usado no Capitólio. Um fotógrafo da AFP descreveu uma substância esfumaçada no ar no grande espaço circular sob a cúpula do Capitólio enquanto cem ou mais pessoas se reuniam.

"A polícia nos pediu para usar máscaras de gás, pois gás lacrimogêneo foi usado na rotunda", escreveu o representante democrata Jim Himes no Twitter.

A polícia precisou sacar armas na direção dos apoiadores do presidente que tentavam invadir a Câmara de Representantes dos Estados Unidos, disse um congressista.

"Responsáveis pela segurança da Câmara e da polícia do Capitólio sacaram suas armas enquanto manifestantes batiam na porta principal da Câmara", tuitou o legislador democrata Dan Kildee de dentro do Congresso.

"Pediram que nos jogássemos no chão e colocássemos máscaras de gás", contou.
 
 
 

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