534 30/12/2021 às 07:00 - última atualização 31/12/2021 às 09:03

Governo federal nega autorização para ajuda humanitária da Argentina à Bahia

Redação Em Dia ES

Argentina pretendia mandar 10 profissionais capacitados nas áreas de logistica e saneamento ao estado, mas Ministério das Relações Exteriores negou pedido do governador Rui Costa
Governo federal nega autorização para ajuda humanitária da Argentina à Bahia. Foto: Amanda Perobelli/Reuters
O governo federal, por meio do Ministério das Relações Exteriores, negou o pedido do governador Rui Costa para autorizar o envio de ajuda humanitária da Argentina às cidades afetadas pelas chuvas no Estado.

Na tarde desta quarta-feira (29), Rui Costa pediu autorização para a missão estrangeira por meio das redes sociais.

“Com a união de esforços, vamos superar este difícil momento. Agora, a missão argentina aguarda a autorização do Ministério das Relações Exteriores para que possam vir à Bahia. Agradeço aos argentinos e peço ao Governo Federal celeridade na autorização para a missão estrangeira”, escreveu.

O site G1 teve acesso ao documento do Ministério das Relações Exteriores que foi enviado à embaixada da Argentina que dispensa a ajuda oferecida. De acordo com o site, em um trecho do documento, o governo federal afirma que os recursos pessoal e financeiro são suficientes, com reserva de R$ 200 milhões para enfrentar a emergência.

“Na hipótese de agravamento da situação, requerendo-se necessidades suplementares de assistência, o Governo brasileiro poderá vir a aceitar a oferta argentina de apoio da Comissão Capacetes Brancos, cujos trabalhos são amplamente reconhecidos”, diz outro trecho do documento.

Ao todo, 24 pessoas morreram em decorrência das fortes chuvas na Bahia. De acordo com a Superintendência de Proteção e Defesa Civil (Sudec), 91.258 pessoas desabrigadas ou desalojadas e 629.398 pessoas foram afetadas pela chuva. O número de feridos aumentou de 358 pessoas para 434. Nesta quarta, 136 cidades estão sob decreto de situação de emergência.

Na tarde desta quarta-feira, a conta oficial do presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais publicou um vídeo mostrando a entrega de mantimentos pelo governo federal ao estado da Bahia, atingido por fortes chuvas na última semana. “Continuamos na Bahia”, escreveu junto com as imagens.

Após críticas na publicação, o perfil respondeu duas mensagens. “No vídeo, o helicóptero é o da Marinha. Já o seu presidente trabalhou muito no passado”. Na segunda-feira (27), aliados do presidente sugeriram que ele voltasse ao sul da Bahia em razão do agravamento das enchentes na região, antes do recesso de fim de ano em Santa Catarina.

De acordo com o governo estadual, a Argentina ofereceu envio imediato de dez profissionais especializados nas áreas de água, saneamento, logística e apoio psicossocial para vítimas de desastres.

Ainda na publicação, Rui Costa agradeceu ao embaixador Daniel Scioli e à presidente da comissão nacional dos Capacetes Brancos, a embaixadora Sabina Frederic, assim como ao cônsul-geral da Argentina na Bahia, Pablo Virasoro, que oficializou a oferta de ajuda ao governo baiano.

O governador da Bahia está no sul do estado desde o último domingo (26), quando desembarcou em Ilhéus para coordenar o trabalho da força-tarefa do Governo do Estado na região. Ele visitou as cidades de Ipiaú, Ibirataia e Jequié nesta quarta-feira.

Férias durante tragédia
A postura do presidente Jair Bolsonaro de manter as férias em Santa Catarina, enquanto milhares de pessoas sofrem com inundações na Bahia, tem sido alvo de críticas generalizadas, que incluem até aliados do governo. A hashtag "#BolsonaroVagabundo" esteve nos trending topics do Twitter desde terça-feira.

A avaliação de apoiadores do presidente é de que ele deveria agir o mais rapidamente possível para diminuir os impactos da tragédia e que a presença dele nas áreas atingidas seria um alento para as vítimas, além de uma demonstração de empatia.

A atitude de Bolsonaro deu ainda mais munição a opositores do governo. O líder da minoria na Câmara, Marcelo Freixo (PSB-RJ), apontou falta de "compaixão" em Bolsonaro. "Não é só omissão e irresponsabilidade, é falta de compaixão e de amor ao próximo. Quase 500 mil pessoas foram afetadas pelas chuvas na Bahia, 20 brasileiros morreram e 77 mil estão desabrigados ou desalojados de suas casas. E onde está o presidente da República?", questionou.

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) afirmou que "o problema do Brasil não é ideologia, mas, sim, honestidade e competência". "Bolsonaro me obriga a incluir outro problema: a absoluta falta de respeito e empatia. Só nas ditaduras mais escrotas se viu um governante curtindo férias em meio a uma tragédia nacional", disparou nas redes sociais.

Do outro lado, integrantes do governo saíram em defesa do presidente e tentaram diminuir o impacto negativo das críticas. Ministros como Fabio Faria (Comunicações), Gilson Machado (Turismo), Marcelo Queiroga (Saúde), Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), Anderson Torres (Justiça) e João Roma (Cidadania) enalteceram ações do governo federal nas áreas atingidas. O Ministério da Defesa publicou vídeos em que as Forças Armadas ajudam no resgate de pessoas e na doação de mantimentos para os desabrigados.

Natural da Bahia, Roma agradeceu ao chefe do Executivo e a Queiroga por reforços na saúde pública. "Por determinação do presidente Jair Bolsonaro estamos reforçando as ações do governo nas áreas atingidas pelas chuvas. Sobretudo, é importante redobrar a atenção na questão da saúde pública. Agradeço, portanto, ao ministro Marcelo Queiroga pelo empenho", destacou.

Quatro ministros estão nos municípios impactados pelas chuvas: além de Roma e Queiroga, Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos). Em entrevista coletiva, Marinho também defendeu o chefe.

"O presidente foi à Bahia e foi criticado. O presidente mandou os ministros e foi criticado. Acho que, se o presidente descobrir a cura do câncer, vai ser criticado", ironizou. Ele fez referência a uma visita de Bolsonaro ao estado cerca de duas semanas atrás, na primeira sequência de temporais, que também devastou municípios.

Na última terça-feira, o chefe do Planalto assinou uma medida provisória destinando R$ 200 milhões para as áreas atingidas. No entanto, o documento prevê R$ 80 milhões do montante a estados do Nordeste, o que é insuficiente, segundo o governador da Bahia, Rui Costa (PT). O petista está no sul do estado para atender vítimas da catástrofe e alfinetou o presidente da República. "Governar é cuidar de gente e não há como fazer isso longe das pessoas", frisou.

Impacto na eleição
Segundo especialistas, as imagens de Bolsonaro aproveitando as férias, a despeito da tragédia das inundações, serão munição política contra ele. "É claro que a oposição vai utilizar todas essas imagens e, principalmente, a frase do presidente, quando ele diz: 'Espero não ter de retornar ao trabalho antes'", ressaltou o cientista político Valdir Pucci. "Ou seja, o presidente passa a imagem de não estar se importando com nada no país, com nada que vem acontecendo, como crises econômica, social e política, além desta agora, a humanitária, pela qual passa o estado da Bahia. Não existe opositor maior ao governo Bolsonaro do que o próprio presidente."

André César, sócio da Hold Assessoria Legislativa, lembrou que o desastre natural torna ainda mais catastrófica a crise social vivida no país, agravada pela fome e pela inflação. O especialista destacou que, nas eleições de 1998, a disputa entre Eduardo Azeredo e o ex-presidente Itamar Franco pelo governo de Minas Gerais teve como fator determinante a diferença nas ações após um temporal no estado.

"Houve uma situação parecida com a que acontece, hoje, na Bahia, antes das eleições. O governador de Minas Gerais na época, Eduardo Azeredo, estava de férias e ia disputar a reeleição contra Itamar Franco. O ex-presidente sobrevoou as áreas atingidas, conversou com a população, e isso foi usado na campanha", comentou. "Pegou muito mal para Azeredo e foi considerado uma das causas da derrota dele para o Itamar naquela eleição. Então, possui valor simbólico, e isso pode ser usado contra o Bolsonaro no próximo pleito."
 
 
 

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