290 25/04/2022 às 07:30 - última atualização 25/04/2022 às 08:45

Barroso diz que Forças Armadas são orientadas a “atacar” processo eleitoral

Redação Em Dia ES

Em seminário na Alemanha, ministro do STF afirma que militares tentam "desacreditar" o processo eleitoral brasileiro e que ataques ao sistema são “totalmente infundados”
Barroso diz que Forças Armadas são orientadas a “atacar” processo eleitoral. Foto: SERGIO LIMA/Poder 360
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso afirmou neste domingo (24) que as Forças Armadas “estão sendo orientadas para atacar o processo” eleitoral brasileiro.

A fala de Barroso aconteceu em um seminário sobre o Brasil promovido pela Universidade Hertie School, de Berlim, na Alemanha, em uma participação por teleconferência.

Em sua fala, o ministro disse ainda que os militares tentam “desacreditar” o processo eleitoral brasileiro. Afirmou ainda que os ataques ao sistema são “totalmente infundados e fraudulentos”.

“E agora se vai pretender usar as Forças Armadas para atacar? Gentilmente convidadas para participar do processo, estão sendo orientadas para atacar o processo e tentar desacreditá-lo?”, questionou.

Procurado pela CNN, o Ministério da Defesa não se pronunciou até o momento da publicação desta reportagem.

“Desde 1996 não tem um episódio de fraude no Brasil. Eleições totalmente limpas, seguras e auditáveis”, afirmou Barroso.

Para Barroso, que é ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), “as ameaças institucionais claramente ocorreram no Brasil, mas, apesar de sermos uma democracia jovem, as instituições resistiram”.

“As decisões do STF têm sido respeitadas. Tem um episódio recente que ainda vai ser recolocado em discussão. Mas as decisões do Supremo como regra geral foram cumpridas”, declarou, sem explicitar a que episódio estava se referindo.

Em março, o TSE recebeu sugestões das Forças Armadas para aprimorar o funcionamento das urnas eletrônicas.

O documento foi encaminhado à Comissão de Transparência das Eleições, formada pelo TSE com representantes de diversas instituições e setores da sociedade.

O representante das Forças Armadas na comissão é o general Heber Garcia Portella, comandante de Defesa Cibernética, a quem coube apresentar as sugestões.

Todas as sugestões já apresentadas serão analisadas até o dia 25 de abril, quando haverá uma reunião do grupo e o plano de ação da comissão será finalizado. As sugestões já apresentadas são sigilosas e devem ser divulgadas nesta reunião.

Em reiteradas falas, o presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou a segurança das eleições. Neste mês, Bolsonaro voltou a atacar as urnas eletrônicas durante a live semanal. “A urna não é inviolável, é penetrável, sim. Mas não vou falar disso. As Forças Armadas estão tomando conta disso”, afirmou, sem apresentar qualquer prova.

O que diz as Forças Armadas
O Ministério da Defesa divulgou neste domingo (24) uma nota em resposta ao ministro do Supremo. A pasta disse que afirmar, sem provas, que as Forças Armadas estão sendo orientadas a atacar o processo eleitoral é "irresponsável".

“Desde 1996 não tem um episódio de fraude no Brasil. Eleições totalmente limpas, seguras e auditáveis. E agora se vai pretender usar as Forças Armadas para atacar? Gentilmente convidadas a participar do processo, estão sendo orientadas para atacar o processo e tentar desacreditá-lo?”, disse Barroso em um seminário promovido por uma universidade alemã.

O ministro do Supremo disse ainda que "assistimos" a "repetidos movimentos para jogar as Forças Armadas no varejo da política".

"Todos nós assistimos repetidos movimentos para jogar as Forças Armadas no varejo da política. Isso seria uma tragédia para a democracia. Isso seria uma tragédia para as Forças Armadas, que levaram 3 décadas para se recuperarem do desprestígio do regime militar e se tornarem instituições valorizadas e prestigiadas pela sociedade brasileira", disse.

O ministro avaliou, porém, que, até o momento, "o profissionalismo e respeito à Constituição" têm prevalecido.

"Até agora, o profissionalismo e o respeito à constituição têm prevalecido, mas não deve passar despercebido que militares admirados e respeitadores da Constituição foram afastados. O general Santos Cruz, um herói brasileiro que combateu no congo, o general Mainard Santa Rosa, um homem de maior integridade e o próprio general Fernando Azevedo. Não é comum isso, nunca tinha acontecido isso dessa forma", disse Barroso.

Em nota assinada pelo ministro Paulo Sérgio Nogueira, o Ministério da Defesa disse que “afirmar que as Forças Armadas foram orientadas a atacar o sistema eleitoral sem a apresentação de qualquer prova ou evidência de quem orientou ou como isso aconteceu, é irresponsável e constitui-se em ofensa grave a essas instituições nacionais permanentes do estado brasileiro".

O documento diz ainda que as Forças Armadas apresentaram propostas para "aprimorar a segurança e a transparência do sistema eleitoral".

"As Forças Armadas, republicanamente, atenderam ao convite do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e apresentaram propostas no âmbito da Comissão de Transparência das Eleições (CTE) para aprimorar a segurança e a transparência do sistema eleitoral. As eleições são questão de soberania e segurança nacional, portanto, do interesse de todos. As Forças Armadas, como instituições do estado brasileiro, têm uma história de séculos de dedicação à pátria e ao povo brasileiro, quer na defesa do país, quer na contribuição para o desenvolvimento nacional e para o bem-estar dos brasileiros", diz a nota.
 
 
 

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