179 22/11/2021 às 06:00 - última atualização 22/11/2021 às 09:27

Enem 2021 tem música “Admirável Gado Novo” e questão sobre luta de classes

Estadão Conteúdo

Redação Em Dia ES

Estudantes fizeram prova de Ciências Humanas e Linguagens. 26% dos inscritos não fizeram a prova do Enem; ministro descarta interferência
Enem 2021 tem música “Admirável Gado Novo” e questão sobre luta de classes. Foto: Reprodução/Redes sociais
A prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste domingo (21), trouxe um trecho da música Admirável Gado Novo, de Zé Ramalho, uma charge do cartunista Henfil, questões sobre racismo e uma sobre um texto de Friedrich Engels, coautor do Manifesto Comunista, com Karl Marx.

Já o tema da Redação deste ano foi “Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil”. O Enem 2021 foi marcado por polêmicas envolvendo tentativa de controle sobre o conteúdo da prova e crise com os servidores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pelo exame.

O professor de História João Daniel Lima de Almeida, do Descomplica, disse que ficou surpreso com a qualidade da prova, que tinham questões “muito progressistas”. “Censura passou longe”, afirmou, se referindo às denúncias de interferência do governo na prova. Ele menciona como exemplo a questão que tinha um texto de Friedrich Engels, que falava sobre a luta de classes entre o operariado e a classe média.

Para ele, a questão que usou a música Admirável Gado Novo, de Zé Ramalho, apesar de ter sido escrita durante a ditadura militar, falava sobre uma situação que poderia acontecer em qualquer época. “Era sobre a passividade do povo, uma metáfora provavelmente dos tempos atuais”.

Na questão sobre Engels, havia um texto que falava que não se podia confiar na classe média porque ela dizia ser a favor da igualdade e não era. A resposta certa era para o aluno indicar a luta de classes.

A prova de inglês falava da situação das mulheres negras nos Estados Unidos, usando trechos do livro da ex-primeira fama americana Michelle Obama. Além disso, outra questão discutia gênero, ao perguntar sobre as mulheres cientistas no século 19 que só podiam catalogar animais e plantas em viagens com seus maridos.

Duas questões tratavam de escravidão, uma sobre um escravo fugitivo e outra sobre os escravos chamados “tigres”, que levavam os fezes dos senhores quando não havia esgoto. A resposta correta, segundo o professor do Descomplica, era que esse trabalho reafirmava a hierarquia social.

Questões sobre temática indígena também apareceram na prova, como a que falava sobre os jesuítas terem aprendido medicina com indígenas no Brasil. “Não é a cara que o governo queria. Claramente, a prova usa o que se tem no Banco Nacional de Itens (BNI) e mantém o padrão, estilo e formato dos anos anteriores”, diz Gilberto Alvarez, do Cursinho da Poli.

Questões sobre refugiados e minorias também apareceram, mas sem causar polêmica. “Não é que os temas sumiram. Eles apareceram de outra forma, como se tangenciassem (os assuntos).” Itens sobre a Amazônia, por exemplo, não foram vistos na prova deste domingo.

Para Alvarez, a complexidade da prova foi de média a baixa. “Foi uma prova em que muitas questões vão pela interperatação de textos e figuras.” Em relação ao tema da Redação, parte dos candidatos relatou dificuldades. “Achei um tema atípico, mas muito importante que precisa ser discutido. É necessário conscientizar as pessoas de como são consideradas invisíveis diante da falta de registros”, disse Rodrigo Conte, de 17 anos, que pretende cursar Engenharia.

Abstenção
O primeiro dia de provas do Exame teve 26% de abstenção. O exame deste ano já havia registrado queda histórica no número de inscritos. Compareceram à prova 2,3 milhões de candidatos apenas. Em edições anteriores, o Enem recebia o dobro de candidatos.

"Mais importante não é o número de inscritos, mas o número de quem veio realmente fazer a prova", disse o ministro da Educação, Milton Ribeiro.

Ele rebateu as críticas de que as ausências têm relação com falhas do MEC em melhorar o ensino em meio à pandemia. Como o jornal O Estado de S. Paulo mostrou, entre os jovens que desistiram de fazer a prova estão aqueles que não se sentiam preparados.

"Foi um número significativo porque sem o Enem uma série de outros passos da educação brasileira sofreria atraso que poderia prejudicar mais ainda os jovens que querem acender ao ensino superior", disse Ribeiro. "São pessoas que resolveram enfrentar todas as dificuldades."

O ministro disse ainda que o conteúdo da prova visto neste domingo mostrou que não "tem cabimento" denúncias sobre interferência no Enem. Caíram no teste questões sobre luta de classes, racismo, desigualdade de gênero e temática indígena.

"Tentaram politizar a prova, não houve nenhuma interferência. Talvez, se tivesse interferência, poderia ser que algumas perguntas nem estivessem ali. Não houve qualquer interferência e escolha de perguntas", afirmou o ministro.

Depois, tentou se explicar: "Quis salientar que, se dependesse de uma visão radical, de que o governo é radical, existem questões que tocam alguns temas que numa visão mais conservadora são mais caros ao nosso governo."

O Enem foi realizado em meio à crise de servidores no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pela prova. Servidores afirmam que houve pressão para a troca de questões da prova.
 
 
 

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