685 09/09/2021 às 13:45 - última atualização 09/09/2021 às 19:45

Inflação fica em 0,87% em agosto, maior para o mês desde 2000

Redação Em Dia ES

Os dados são Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado hoje (9) pelo IBGE
Inflação fica em 0,87% em agosto, maior para o mês desde 2000. Foto: © Marcello Casal JrAgência Brasil
A inflação teve alta de 0,87% em agosto, a maior para o mês desde o ano 2000. Com isso, o indicador acumula altas de 5,67% no ano e de 9,68% nos últimos 12 meses, acima do registrado nos 12 meses imediatamente anteriores (8,99%). Em agosto do ano passado, a variação mensal foi de 0,24%. Os dados são Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado hoje (9) pelo IBGE.

Oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados subiram em agosto, com destaque para os transportes, que teve a maior alta de preços. Puxado pelos combustíveis, o grupo registrou a maior variação (1,46%) e o maior impacto (0,31 p.p.) no índice geral. A gasolina subiu 2,80% e teve o maior impacto individual (0,17 p.p.). Etanol (4,50%), gás veicular (2,06%) e óleo diesel (1,79%) também ficaram mais caros no mês.

“O preço da gasolina é influenciado pelos reajustes aplicados nas refinarias de acordo com a política de preços da Petrobras. O dólar, os preços no mercado internacional e o encarecimento dos biocombustíveis são fatores que influenciam os custos, o que acaba sendo repassado ao consumidor final. No ano, a gasolina acumula alta de 31,09%, o etanol 40,75% e o diesel 28,02%”, disse o analista da pesquisa, André Filipe Guedes Almeida.

Outros destaques foram os veículos próprios, que tiveram alta de 1,16% em agosto. Os automóveis usados (1,98%), os novos (1,79%) e as motocicletas (1,01%) permaneceram em elevação e contribuíram juntos com 0,10 p.p. no IPCA de agosto. Nos transportes públicos (-1,21%), as passagens aéreas caíram 10,69%. Já os preços do transporte por aplicativo subiram 3,06% e do ônibus intermunicipal 0,62%, em decorrência dos reajustes nas tarifas em Salvador e Belo Horizonte e Porto Alegre.

A segunda maior contribuição (0,29 p.p.) veio de alimentação e bebidas (1,39%), que acelerou em relação a julho (0,60%). A alimentação no domicílio passou de 0,78% para 1,63% em agosto, principalmente por conta das altas da batata-inglesa (19,91%), do café moído (7,51%), do frango em pedaços (4,47%), das frutas (3,90%) e das carnes (0,63%). No lado das quedas, destacam-se a cebola (-3,71%) e o arroz (-2,09%).

A alimentação fora do domicílio (0,76%) também acelerou em relação a julho (0,14%), principalmente por conta do lanche (1,33%) e da refeição (0,57%), cujos preços haviam subido 0,16% e 0,04% no mês anterior, respectivamente.

Em habitação (0,68% e 0,11 p.p.), o resultado foi influenciado pela energia elétrica (1,10%), que desacelerou em relação ao mês anterior (7,88%). “O resultado é consequência dos reajustes tarifários em Vitória, Belém e em uma das concessionárias em São Paulo. Além disso, a bandeira tarifária vermelha patamar 2, que adiciona R$ 9,492 a cada 100 kWh consumidos, vigorou nos meses de julho e agosto”, afirmou André Filipe Almeida.

Os preços do gás encanado (2,70%) e do gás de botijão (2,40%) também subiram. No gás encanado, houve reajustes tarifários em Curitiba e no Rio de Janeiro. A taxa de água e esgoto teve queda de 1,02% por conta da mudança na metodologia de cobrança das tarifas em Belo Horizonte.

O grupo saúde e cuidados pessoais (-0,04%) foi o único com variação negativa, devido à queda de 0,43% nos itens de higiene pessoal. Os planos de saúde recuaram 0,10%.

A pesquisa mostra ainda que todas as áreas pesquisadas tiveram inflação em agosto. O maior índice foi registrado em Brasília (1,40%), influenciado pelas altas nos preços da gasolina (7,76%) e da energia elétrica (3,67%). Já o menor resultado ocorreu na região metropolitana de Belo Horizonte (0,43%), por conta da queda nos preços das passagens aéreas (-20,05%) e da taxa de água e esgoto (-13,73%).

INPC tem alta de 0,88% em agosto
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) teve alta de 0,88% em agosto, 0,14 p.p. abaixo do resultado de julho (1,02%). No ano, o indicador acumula elevação de 5,94% e, em 12 meses, de 10,42%, acima dos 9,85% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em agosto de 2020, a taxa foi de 0,36%.

Os produtos alimentícios subiram 1,29% em agosto, ficando acima, portanto, do resultado de julho (0,66%). Já os não alimentícios tiveram alta de 0,75%, enquanto em julho haviam registrado 1,13%.

Todas as áreas registraram alta em agosto. O menor índice foi observado em Fortaleza (0,43%), onde pesaram as quedas nos preços do arroz (-2,81%), das carnes (-2,09%) e dos itens de higiene pessoal (-1,39%). Brasília registrou a maior variação (1,60%), influenciada pela gasolina (7,76%) e pela energia elétrica (3,67%).

IBGE retoma coleta presencial de preços
Em julho, o IBGE iniciou a retomada gradual da coleta presencial de preços em alguns estabelecimentos, conforme estabelece a Portaria nº 207/2021. Devido à pandemia, desde março do ano passado, a coleta vinha sendo realizada, exclusivamente, por outros meios, como em sites, por telefone ou e-mail.

O IPCA abrange as famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos, enquanto o INPC as famílias com rendimentos de 1 a 5 salários mínimos, residentes nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju. Acesse os dados no Sidra. E conheça mais sobre o IPCA no IBGE Explica.

O que é e como é calculado o principal índice de inflação do país
Ao ir ao supermercado, o consumidor consegue ter uma ideia de alguns produtos que subiram de preço e outros que ficaram mais baratos ao longo do mês. Ao deixar o caixa, ele sente no bolso se houve aumento ou queda no preço total da compra. Ao longo dos meses, poderá avaliar se há um aumento sustentado no preço desses itens, que pode vir a consumir uma parte maior do seu rendimento.

Esse acompanhamento é parecido com o que faz o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) ao calcular o IPCA. A diferença é que o IBGE pesquisa milhões de itens que são vendidos em dezenas de milhares de estabelecimentos. O IPCA é, portanto, o índice de variação de preços no comércio como um todo, o índice de inflação.

Além de esclarecer o consumidor sobre a oscilação dos preços, o IPCA é fundamental para que autoridades alterem as políticas monetárias e tomem medidas econômicas com base nas pressões inflacionárias, que estão presentes o tempo todo, em qualquer economia.

O que é IPCA?
IPCA é a sigla para Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo e funciona como medidor oficial da inflação. Calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), ele é usado pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) como parâmetro para ajustar as metas de inflação, e pelo Copom (Comitê de Política Monetária) para revisar a taxa básica de juros da economia, a Selic.

Apesar de ter sido criado em 1979, apenas a partir dos anos 2000 ele passou a ser usado pelo Banco Central como o índice oficial da inflação.

Para que serve o IPCA?
O IPCA mede a variação de preços de determinados produtos que compõem a cesta de consumo dos brasileiros.

Essa lista de produtos é definida também pelo IBGE por meio da sua Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), que verifica o que a população tem consumido e quanto é gasto com cada um desses itens. Estão sempre inseridos nessa lista itens como arroz, feijão, passagem de ônibus, material escolar e médico, entre muitos outros, que são serviços e produtos que fazem parte da cultura de consumo do brasileiro.

Além da variação de preços desses itens, o IPCA também mede o peso que cada um deles tem no orçamento das famílias.

Vale dizer que, apesar de ser o indicador oficial para medir a oscilação dos preços, o IPCA não é o único índice que faz isso. O IGP-M também faz isso.

O índice tem como principal objetivo apontar a variação do custo de vida médio de famílias de todo o Brasil que têm renda mensal de 1 a 40 salários mínimos.

Como o IPCA é calculado?
A primeira etapa para a definição do IPCA é a pesquisa de preços, realizada todo mês pelo IBGE em estabelecimentos comerciais, domicílios e concessionárias de serviços públicos. A pesquisa de preços é realizada todos os dias e apenas o valor à vista dos itens é contemplado.

Ao realizar a pesquisa de preços, o IBGE não avalia todos os mais de 5.500 municípios do país, algo que seria muito difícil de realizar e estatisticamente pouco útil. Ele concentra a pesquisa nas principais áreas urbanas do país. Nessas regiões, faz o levantamento de cerca de 400 mil preços ao longo do mês, em algo próximo a 30 mil estabelecimentos. Esse processo é repetido todos os meses para que possa ser feito o comparativo.

Assim que é concluída a pesquisa de preços em cada região, os índices são agregados e passam a compor o índice nacional. Porém, o cálculo que é feito para definir o IPCA dá pesos diferentes a cada região. Portanto, há locais que pesam mais sobre o índice de inflação por motivos relacionados ao tamanho da sua população e à relevância econômica da região dentro do país.

Quais produtos e serviços são pesquisados pelo IPCA?
O número de itens avaliados pelo IPCA varia entre 300 e 400 produtos e serviços. A qualidade também muda. Itens voltados para o cuidado de animais de estimação e plataformas de streaming, por exemplo, passaram a compor o índice, enquanto outros abandonaram a lista, como assinaturas de jornal e ternos. Mas alguns itens permanecem e não devem sair tão cedo porque estão na essência da cultura de consumo dos brasileiros, como arroz, feijão, cabeleireiro e barbeiro, leite, algumas espécies de peixe, cortes de carne, serviços médicos e transporte viário.

Esses itens são separados em sete categorias diferentes, cada uma tendo um percentual de participação na composição do índice de preços. Alimentação, por exemplo, detém um quarto do valor total do IPCA e é a categoria que mais influencia no aumento ou na redução dos preços gerais.

Qual a relação do IPCA com o salário?
O IPCA é importante para que as pessoas entendam se o seu poder de compra cresce, diminui ou fica estável em relação ao mês ou ano anterior. Se o IPCA sobe 5% ao longo de um ano,  mas o rendimento do trabalhador cresce apenas 3%, o poder de compra será corroído, ou seja, o cidadão está empobrecendo.

Por isso, o salário mínimo deve crescer acima da inflação para que haja um ganho real no poder de compra de quem recebe salários ou benefícios atrelados ao valor do salário mínimo. Caso contrário, haverá uma estagnação ou perda de poder de compra.

O que faz o IPCA subir ou descer?
São alguns os motivos que afetam o índice de preços. De início, é necessário levar em conta a lei da oferta e da procura e seu impacto sobre os preços. Em geral, o produto sobe de preço se a procura aumenta e a oferta desse mesmo item permanece igual ou diminui. O contrário também é verdadeiro: se a demanda diminui ou fica estável e a oferta de produtos cresce, é de se esperar que o preço diminua.

O resultado das safras, por exemplo, pode reduzir ou aumentar o valor dos alimentos com base na lei da oferta e da procura. Se a safra for farta, o produtor pode vender a um preço menor e jogar a inflação para baixo. Mas em caso de perdas na lavoura por causa do clima ou qualquer outro motivo, os preços tendem a aumentar porque o agricultor terá menos produtos para vender diante da mesma necessidade da população.

Além disso, o preço do dólar também é importante. Muito do que o brasileiro consome é importado pelo país e pago pelos distribuidores nacionais em dólar. Se a moeda americana encarece, o preço desses produtos sobe.

O preço que o produtor ou comerciante paga para produzir, transportar e vender um produto ao longo de toda a cadeia também impacta o IPCA. Se o empresário nota um aumento no preço para fazer o produto chegar ao consumidor, a tendência é que ele repasse esse valor extra ao cliente, que pagará mais caro.

É importante mencionar que a redução do IPCA não quer dizer que os preços gerais diminuíram, mas que cresceram menos do que no mês anterior. Para haver deflação (queda nos preços), é preciso que o IPCA seja negativo.

O que é IPCA acumulado?
Quando o termo usado é IPCA acumulado, o que está sendo avaliado é o conjunto de preços ao longo de um período específico. Esse indicador é usado para definir não somente o quanto os preços se movimentaram do começo ao final de um mesmo ano, serve também para comparar intervalos aleatórios.

O IPCA acumulado pode ser medido pela Calculadora do Cidadão do Banco Central.

O que é IPCA-15 e IPCA-E?
O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) é uma prévia do IPCA que mede a alteração de preços ao longo de 30 dias, mas usando um período entre dois meses diferentes e consecutivos, como, por exemplo, o final de novembro e o começo de dezembro. A data de início da apuração é dia 16 do mês anterior e a data final é dia 15 do mês de referência.

O IPCA-E (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-Especial) usa o mesmo recorte do IPCA-15, pegando como ponto de partida e ponto final o meio do mês de meses consecutivos. A diferença é que o IPCA-E faz esse recorte para um trimestre inteiro. Ele mede, por exemplo, a oscilação dos preços entre o dia 16 de janeiro e o dia 15 de março.

Qual a relação do IPCA com a Selic?
O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) usa o índice de inflação como um dos fatores para operar a sua taxa básica de juros, a Selic. Geralmente, quando a inflação sobe de maneira persistente, refletida pelo IPCA, o Banco Central entende que é hora de intervir nessa pressão sobre os preços, aumentando a Selic.

Como o IPCA impacta os investimentos?
O aumento do IPCA é quase sempre acompanhado do aumento da Selic, que é usada como indexadora de muitos investimentos em renda fixa, como Tesouro Direito, LCIs e LCAs, CDBs, CDIs e alguns fundos de investimento de renda fixa atrelados à inflação. Por isso, o IPCA tem impacto indireto na rentabilidade desses papéis, que se beneficiam de uma inflação crescente.

Também é esperado que os investimentos rendam mais que o IPCA para garantir que estejam mantendo ou ampliando o poder de compra do cidadão.
 
 
 

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