502 18/03/2020 às 09:00

DOENÇAS ECONÔMICAS: O vírus COVID-19 e seus impactos

Por Luis Frechiani

Redação Portal Em Dia ES

Já não há mais dúvidas de que a economia mundial entrará em recessão e as questões que mais afligem os economistas é o tempo de duração e quais serão os remédios, quando controlarmos a pandemia, para sair da crise econômica.  A recessão pode ser caracterizada quando o Produto Interno Bruto (PIB) se retrai durante, pelo menos, dois trimestres consecutivos e que tem, como principal consequência, o aumento da taxa de desemprego.

DOENÇAS ECONÔMICAS O vírus COVID-19 e seus impactos

Este quadro, levou o Fundo Monetário Internacional (FMI) a disponibilizar US$ 1 trilhão para socorrer os países que necessitarem de recursos para atenuar os impactos econômicos e sociais da crise, que poderá ser mais grave e longa que a crise de 2008, com a falência das empresas de menor porte e mais vulneráveis às medidas de fechamento de lojas, cidades e do isolamento social. Nos Estados Unidos da América(EUA), o Federal Reserve Board (FED) praticamente zerou a taxa de juros e o senado dos EUA deverá  anunciar um pacote de estímulo à economia que pode passar de US$ 2 trilhões,  equivalente a aproximadamente 10% do PIB da, ainda, maior economia do planeta. 


A Organização Internacional do Trabalho (OIT), alertou que a pandemia pode provocar uma crise econômica global e destruir 25 milhões de empregos no mundo se os governos não agirem rapidamente para criar um mecanismo de proteção social e apoio à retenção de empregos  através de jornada reduzida ou licença remunerada, sugerindo, também, benefícios financeiros e fiscais para micro, pequenas e médias empresas, uma vez que são as principais geradoras de empregos no mundo. 


No Brasil, segundo o presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, George Pinheiro, 90% das atividades de comércio são exercidas pelas micro, pequenas e médias empresas e por conta da paralisação de grande parte das atividades, são as que mais precisarão de medidas que ajudem os empresários. 


A equipe econômica anunciou, no dia 16/03, um pacote de R$ 147,3 bilhões, adiantando recursos(antecipação do 13ºsalário dos aposentados, bolsa família, FGTS) e desonerando impostos de importação sobre medicamentos e equipamentos médicos e no dia 18, criou o Voucher de R$ 200,00 para trabalhadores autônomos. No dia 22/03, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou um pacote de R$ 55 bilhões de reais para enfrentar os efeitos econômicos da pandemia de Covid-19, com foco na preservação de empregos.  Segundo o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, “o banco se preparou, se ajustou, para uma ação anticíclica. É um primeiro passo no enfrentamento dessa crise”. 


O pacote anunciado pelo BNDES inclui a suspensão dos pagamentos de empréstimos diretos e indiretos concedidos pelo banco, a transferência de valores para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a disponibilidade de mais recursos para micro, pequenas e médias empresas, que são grandes geradoras de postos de trabalho no Brasil. 


Para muitos economistas, em função da dimensão do surto viral e da crise econômica, estas ações do governo brasileiro podem surtir pouco efeito e sugerem a revisão do teto dos gastos públicos (Emenda Constitucional 95/2016) como a única alternativa para evitar uma forte e longa recessão no país.  A Medida provisória enviada hoje ao congresso, que permitirá a suspensão dos contratos de trabalho por até 4 meses, aliviara a pressão no caixa das empresas, podendo evitar falências, parece que se preocupou, apenas, com saúde das empresas e que precisará, tambem, criar mecanismos que garantam uma renda mínima para o trabalhador garantir o sustento das familias que serão atingidas pela MP. 


Os últimos dados sobre a pandemia Covid-19 são preocupantes tanto pelo número de infectados e mortos quanto pelos impactos, ainda não mensurados, no nível de atividade econômica e número de desempregados e na taxa de pobreza da economia global.  Por conta desta preocupação, me apoio no argumento do economista indiano e professor de Havard, Raj Chetty, para o qual  a ciência econômica deve ser usada” para curar as desigualdades e outros males sociais”  e , em função deste nobre objetivo,   devemos exigir dos governantes , a curto prazo,  políticas monetárias e fiscais expansionistas urgentes e com mecanismos de proteção social para evitar uma crise similar à da grande depressão de 1929, pois como disse John Maynard  Keynes,” a longo prazo todos estaremos mortos”.


Autores:

Luis Frechiani é Mestre em Economia e Professor

Renata Moreira Frechiani é Mestre em Economia e Professora


Leia na coluna do economista Luis Frechiani clicando aqui.

 
 
 

Fique em dia

  1. 1

    1 - Banestes atinge volume de R$ 195,7 milhões liberados nas linhas de crédito emergencial Banestes atinge volume de R$ 195,7 milhões liberados nas linhas de crédito emergencial
  2. 2

    2 - 37 mil militares receberam auxílio emergencial, mostra relatório do governo 37 mil militares receberam auxílio emergencial, mostra relatório do governo
  3. 3

    3 - Secont debate com municípios ações de controle e transparência no combate ao Covid-19 Secont debate com municípios ações de controle e transparência no combate ao Covid-19
  4. 4

    4 - Governo zera impostos de produtos usados no combate ao coronavírus Governo zera impostos de produtos usados no combate ao coronavírus
  5. 5

    5 - Depois de anunciar sanção, Bolsonaro diz que ainda espera MP para oficializar auxílio de ... Depois de anunciar sanção, Bolsonaro diz que ainda espera MP para oficializar auxílio de ...
  6. 6

    6 - Bandes amplia serviços on-line Bandes amplia serviços on-line
 
 
 
 

Filme em Cartaz

 

BOLETIM

Receba nossas notícias por e-mail.

)
Logomarca