232 29/07/2020 às 07:30 - última atualização 29/07/2020 às 20:39

Brasil deve ter quarta maior queda de PIB da América Latina, diz Cepal

Redação Em Dia ES

Região deve ser a mais afetada pela crise econômica da pandemia
Brasil deve ter quarta maior queda de PIB da América Latina, diz Cepal. Foto: Divulgação
O Brasil deverá ter a quarta maior queda de Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina e Caribe em 2020, segundo novas estimativas divulgadas pela Comissão Econômica para a região (Cepal) hoje (28). Nas novas projeções da entidade, o tombo econômico em razão da covid-19 deve ser maior na área.

A redução do PIB brasileiro em 2020 deverá chegar a 9,2%. Devem sofrer contrações maiores Argentina (-10,5%), Peru (-13%) e Venezuela (-26%). A menor queda será a do Paraguai (-23%). No geral, o PIB da região deve cair 9,1%. A previsão anterior, divulgada em abril, era de um encolhimento de 5,3% para este ano. O índice será quase o dobro da previsão para o mundo, que deve ficar em 5,2%.

A Cepal também estima um aumento do desemprego e da pobreza. A taxa de desocupação vai afetar 44 milhões de pessoas, correspondendo a 13,5% da região. O resultado poderá marcar um aumento de 5,4 pontos percentuais (p.p.). em relação a 2019, quando era 8,1%.

A pobreza deve aumentar de 30,2% para 37,3% entre o ano passado e este. E a pobreza extrema deve crescer de 11% para 15,5% no mesmo período. Essa é uma cifra muito preocupante, pois essas pessoas podem não conseguir cumprir com sua dieta alimentar mínima.

No Brasil, a previsão da Cepal é que o contingente de pessoas na pobreza suba de 19,2% para 26,9% entre 2018 e 2019, e o da pobreza extrema de 14,3% para 16,8%. O incremento na faixa da pobreza de 7,7 p.p. deverá ser o terceiro da região, atrás apenas de Peru (9,3 p.p.) e Argentina (10,8 p.p.).

Já nas estimativas de variação do índice Gini (utilizado para medir a desigualdade social) o Brasil foi inserido no segundo grupo com possível elevação da desigualdade (de 5% a 5,9%), juntamente com Chile, El Salvador e México. Acima desse patamar (6% ou mais) estão Peru, Argentina e Equador.

“Evidencia-se a vulnerabilidade de 80% da população, com forte deterioração dos estratos médios. Mais de 33 milhões de pessoas que estavam na classe média iriam para classes mais baixas”, afirmou Alícia Bárcena, secretária-executiva da Cepal.  

Medidas
Para reagir a esse cenário de crise na região, a Cepal apresentou uma série de medidas. A secretária-executiva defendeu políticas econômicas “expansivas” e “sustentadas no tempo”. “Há complementaridade entre políticas macroeconômicas, sociais e produtivas, que devem ser conduzidas de forma integradas”, pontuou.

A Cepal defende uma renda básica de emergência, que deve ser sustentada pelos próximos meses. Vários países lançaram mão deste recurso, como o auxílio emergencial no Brasil. A comissão propõe que haja um auxílio básico de emergência e em valor equivalente à linha de pobreza (US$ 143 dólares) por seis meses, ao custo de 2% do PIB.

Além disso, a entidade argumenta que os governos deveriam conceder um outro auxílio contra a fome para toda a população em extrema pobreza, equivalente a 70% da linha regional de pobreza extrema (US$ 67 dólares mensais), o que demandaria uma despesa de US$ 27 bilhões, ou 0,52% do PIB regional. Embora essas ações sejam pontuais, a Cepal entende que essas políticas sociais devem caminhar para ser universalizadas pelos governos.

Na linha de combinar programas sociais com produtivos, outra estratégia deve ser a adoção de subsídios às micro e pequenas empresas, com maiores prazos para financiamento, não só alguns meses.

Para executar essas medidas, destacou Alícia Bárcena, os Estados latino-americanos e caribenhos precisam empregar “políticas fiscais expansivas”. “Isso vai ser um gasto estrutural, não conjuntural”, classificou a secretária executiva.

Uma outra forma de custear esses programas envolve a obtenção de formas de financiamento. Para isso, a representante da Cepal advogou por uma ação coordenada dos governos para obter condições favoráveis de captação de empréstimos. “Estamos em uma região de rendas médias. Há condições favoráveis para países de baixa renda, mas não de renda média”, explicou.
 
 
 

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