320 06/09/2020 às 13:03 - última atualização 13/09/2020 às 12:10

Coluna: Ribeiro | “Meus livros já tiveram altas tiragens, mas hoje, o mundo virtual sufocou a leitura de livros impressos.”

Redação Em Dia ES

A vida e a escrita são frutos da imaginação. Enquanto o Alzheimer não chegar, sempre haverá imaginação e história pra contar (risos)
Ribeiro Meus livros já tiveram altas tiragens, mas hoje, o mundo virtual sufocou a leitura de livros impressos
Francisco Aurélio Ribeiro Nasceu em Ibitirama (Espírito Santo) em 22 de agosto de 1955. É doutor em Letras, professor e escritor. Possui mais de 30 anos de experiência na área de Ensino e Pesquisa.

Esta significativa experiência docente provém de sua atuação como professor em diversas Instituições de Ensino, públicas e privadas, com âmbito de atuação no Ensino Fundamental, Médio e Superior (Graduação e Pós-Graduação). 

Acompanhe abaixo a entrevista com escritor Francisco Aurélio:

Joacles Costa: Quantas publicações você tem?
Francisco Aurélio Ribeiro: Muitas. Mais de 50. Já perdi a conta (risos).

Joacles Costa: Como é seu processo criativo?
Francisco Aurélio: Escrevo quando sinto necessidade. Às vezes, a vontade surge, diante de algum fato ocorrido ou de uma lembrança. Geralmente, escrevo crônicas, pois publico em um Jornal local no estado há mais de 30 anos. Hoje, na edição online, faço mais artigo de opinião do que crônica. O mundo não está para a leveza e o humor que a crônica exige.

Joacles Costa: Como você acha neste momento que o Espírito Santo lê a sua obra? 
Francisco Aurélio: Nem sei se lê mais (risos). Meus livros já tiveram altas tiragens, mas hoje, o mundo virtual sufocou a leitura de livros impressos. É um tempo histórico, de muitas mudanças, este em que vivemos.
 
Joacles Costa: Você se inspira em imagens cotidianas, em cenários da realidade capixaba, no   imaginário da cultura tradicional para escrever?
Francisco Aurélio: Geralmente sim. É o cotidiano e sua realidade que me inspiram. Atualmente, além dos textos para o Jornal A Gazeta, das pesquisas que faço sobre escritores do passado, o que mais tenho escrito são histórias para crianças, falando de minhas experiências com animais e a natureza em meu sítio, em Domingos Martins.
 
Joacles Costa: Qual foi o tema mais difícil que abordou em sua literatura?
Francisco Aurélio: A morte de quem se ama é, sempre, o tema mais difícil. Como perdi o pai aos dez anos e a mãe aos dezoito, nunca me esquivo de falar desse tema doloroso: nascemos para morrer. Desde o instante em que se nasce, já se começa a morrer, nos lembra Cassiano Ricardo e tantos outros.

Joacles Costa: A essa altura da vida, ainda há muita coisa preciosa guardada que nunca foi dita nem contada em livro?
Francisco Aurélio: Acho que sim. A vida e a escrita são frutos da imaginação. Enquanto o Alzheimer não chegar, sempre haverá imaginação e história pra contar (risos). 

Joacles Costa: Quais são, para você, as principais questões problemáticas com as quais o escritor se depara hoje no Espírito Santo?  Esses problemas impactam e impedem o surgimento de novos   escritores?   Se sim, como?   Se não, o que continua movimentando a escrita literária a despeito desses constrangimentos?
Francisco Aurélio: O principal entrave para o escritor capixaba é a divulgação de suas obras. Ele até consegue publicar, mas fazer essa obra circular e chegar ao leitor é que é o problema. Não existem políticas públicas de valorização do autor capixaba. Nem para os velhos autores como eu, nem para os novos que estão chegando.

Joacles Costa: Você já escreveu muitos livros, é professor, palestrante, colabora com jornais, revistas, participa de seminários e palestras em diversos locais. Como concilia todas essas atividades?
Francisco Aurélio: Tive de dar um tempo com cursos e palestras por causa da pandemia, mas não parei. Escrevi dois livros nesse período, um didático e outro de pesquisa sobre um grande escritor capixaba, o Professor Amâncio Pereira (1862-1918), hoje esquecido. Organizei a Revista da AEL 2020 e terminei um livro para crianças que deve sair até o final do ano, "Histórias do Cantinho do Céu". Quando isso passar, boto o bloco e a cara na rua. Estou morrendo de saudades dos lançamentos de livros, dos encontros com os leitores, de visitas a escolas etc. Enquanto isso, vamos trabalhando at home.

Francisco Aurélio é responsável pela orientação de teses de mestrado na área de letras da Universidade Federal do Espírito Santo - UFES. Participa também de diversas bancas de Defesa de Dissertação. Desenvolveu diversos trabalhos de pesquisa na área de literatura, possuindo mais de 50 livros publicados (gêneros infantil, crônica, conto e pesquisa) e vários artigos de sua autoria. Pertence ao Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo e à Academia Espírito-santense de Letras, da qual foi presidente em três mandatos.

Seu livro mais recente: Histórias Capixabas

Autor: Francisco Aurélio Ribeiro
Ano: 2019
Assunto: Contos sobre fatos e personagens capixabas
Páginas: 60
Preço: R$ 39,00
Editora: Formar              

Leitura Em Dia
 
O que está lendo no momento? 
Francisco Aurélio: Acabei de ler “Ana Jansen”, de Rita Ribeiro, um romance sobre essa mulher lendária do Maranhão, cuja história conheci quando estive lá dando cursos e começo a ler, amanhã, “Liberdade”, de Jonathan Franzen. Sou um leitor compulsivo.

Revisão de  texto: Max Maciel
O artigo publicado é de inteira responsabilidade exclusiva de seu autor e não representam as idéias ou opiniões do site EMDIAES.
 
 
 

Fique em dia

  1. 1

    1 - Enem no EmDiaES | Tudo que você precisa saber para o Enem Enem no EmDiaES | Tudo que você precisa saber para o Enem
  2. 2

    2 - Secult divulga resultado da segunda etapa do Edital Emergencial da Cultura Secult divulga resultado da segunda etapa do Edital Emergencial da Cultura
  3. 3

    3 - Coluna: Grijó | “Sou escritor e professor de literatura de modo que a literatura é meu ... Coluna: Grijó | “Sou escritor e professor de literatura de modo que a literatura é meu ...
  4. 4

    4 - Coluna: Sodré | “Aos 58 anos de idade, que me desafiam constantemente a pensar e repensar ... Coluna: Sodré | “Aos 58 anos de idade, que me desafiam constantemente a pensar e repensar ...
  5. 5

    5 - Brasil perde 4,6 milhões de leitores em quatro anos Brasil perde 4,6 milhões de leitores em quatro anos
  6. 6

    6 - Coluna: Ribeiro | “Meus livros já tiveram altas tiragens, mas hoje, o mundo virtual ... Coluna: Ribeiro | “Meus livros já tiveram altas tiragens, mas hoje, o mundo virtual ...
 
 
 
 

Filme em Cartaz

 

BOLETIM

Receba nossas notícias por e-mail.

)
Logomarca