680 05/06/2020 às 18:04 - última atualização 22/08/2020 às 12:19

Coluna: “O Que Faz o Escritor é a Escrita, a Publicação é Consequência.”

Por Joacles Costa

Redação Em Dia ES

Bomfim | “O Que Faz o Escritor é a Escrita, a Publicação é Consequência.”

Bomfim O Que Faz o Escritor é a Escrita, a Publicação é Consequência. Foto: Divulgação
Olá meus queridos,

A coluna de hoje falará dela, a poetista e escritora Renata Oliveira Bomfim que é Doutora em Letras pela Universidade Federal do Espírito Santo, graduada em Artes Plásticas também pela UFES e arteterapeuta com larga experiência no campo da saúde mental. Preside atualmente a Academia Feminina Espírito-santense de Letras (AFESL), gestão 2018-2020, o Instituto Ambiental Reluz, gestão 2020-2023 e presidiu a 6ª edição da Feira Literária Capixaba (FLIC-ES), que aconteceu de 22 a 26 de Maio de 2019, no campus de Goiabeiras da Ufes, localizado na Capital capixaba.

Conheça um pouco mais sobre ela
Nascida em Vitória, ES, no dia 21 de Novembro de 1972, foi uma criança tímida, introspectiva e desde cedo sentiu fascinação pela leitura. Não teve acesso a livros infantis, mas lembra de ter relido, muitas vezes, cinco ou seis volumes de uma enciclopédia, esses eram os únicos livros da casa. Na adolescência lia o que caia em mãos, assim como os populares romances “Sabrina” e “Bianca”. Driblando uma religião que só permitia a leitura da Bíblia, foi buscando ter acesso a outras obras. Significante foi para Renata associar-se a uma locadora de livros na rua Sete de Setembro, Centro de Vitória-ES. Foi assim que teve a oportunidade de ler vários clássicos, entre eles Robson Crusoé, de Daniel Defoe; Moby Dick, de Herman Melville; as obras de Machado de Assis, especialmente Dom Casmurro. 

Estudou na Escola Técnica Federal do Espírito Santo, hoje IFES, teve acesso a um acervo novo, apaixonando-se por Vinícius de Moraes. A escritora acredita que esse poeta abriu as portas da poesia para ela. Já possuía cadernos em que anotava frases bonitas, fazia desenhos e arriscava alguns versos. O exercício da escrita nasceu assim, fruto do gosto pela leitura. Ainda na adolescência teve contato com as poesias de Florbela Espanca, esse encontro marcaria muito a vida dela, pois, formada em artes plásticas pela UFES, foi buscar o mestrado e, posteriormente, o doutorado em Letras, especializando-se na obra dessa escritora portuguesa e, posteriormente, na de Rubén Darío, poeta nicaraguense. Acredita que é escritora desde o momento em que passou a construir os cadernos de poesia, mas apenas em 2010 tomou coragem para expor as poesias por meio da publicação do primeiro poemário, o livro Mina, editado pela editora Floricultura (ES). Em 2012 publicou o Arcano dezenove, pela mesma editora e em 2015 o Colóquio das árvores, agora pela editora Chiado, de Lisboa, Portugal. Nesse instante prepara-se para publicar O coração da Medusa, primeira obra bilíngue (poesias em português e castelhano). 

Bomfim não acredita que tenha escolhido a área da literatura, escolheu a arte. O percurso profissional começou no centro de artes da UFES em 1994. Mesmo ainda sendo estudante, passou a participar de exposições coletivas de artes plásticas dedicando-se ao mosaico. O ingresso no campo da educação ambiental surgiu com o convite para realizar uma vivência no Mosteiro Zen Budista Morro da Vargem, situado no Município de Ibiraçú - ES, em 2008. No Mosteiro desenvolveu projetos e programas socioambientais e de qualidade de vida para diferentes grupos, sempre utilizando a ARTE e a LITERATURA como mediadoras dos grupos. Como membro da equipe do Projeto Terapêutico e Social, Renata passou a desenvolver um programa de atividades lúdica terapêutica para as Comunidades Terapêuticas (CTs).

“Esse percurso, nada linear, mostra como a minha carreira foi se construindo por agregação de saberes, tudo está interligado e, quando atuei como professora de estudos literários no Centro de Letras da UFES, considerei levar os alunos(as) a (re)conhecerem as múltiplas funções e importância da literatura, bem como auxiliá-los na leitura crítica e escrita de textos”, relata a escritora.

Ela tem um blog literário que completou treze anos agora em 2020, o Letra e fel. Compartilha os escritos na internet, nos lançamentos e em saraus. Acredita que o livro pode influenciar o leitor, mas não só o dela, pois a literatura tem esse poder,  mesmo que o livro físico possa desaparecer, com o tempo pode ir perdendo o posto como suporte de leitura, mas permanecerá nem se for como hobby de colecionador. 
 
A poetista comenta meu questionamento sobre:

JOACLES COSTA: O que falta para o escritor capixaba ser reconhecido na sua própria ‘’casa’’?

RENATA OLIVEIRA BOMFIM: ‘’É um tema polêmico, mas acredito que o capixaba será mais lido pelos capixabas com um conjunto de ações políticas que passam pela valorização do escritor, facilitação de acesso do leitor à obra, ampliação dos projetos de incentivo à leitura’’. Isso ai, precisamos mesmo. 

JC: Qual seu recado para quem está começando a escrever e tem um sonho de publicar um livro?

ROB: “Bem! O meu recado é que a pessoa que deseja entrar no campo da literatura não se preocupe tanto com publicação, mas com a escrita. O que faz o escritor é a escrita, a publicação é consequência’’. A publicação foi popularizada com a internet, a pessoa pode ter gratuitamente um blog, um perfil em uma rede social e divulgar os seus escritos. 

JC: Poderia resumir sobre sua obra mais recente?

ROB: Minha obra publicada mais recente é o Colóquio das Árvores, de 2015, é um livro de poesia que trata de questões socioambientais. No XII Festival Internacional de Poesia de Granada, no qual representei o Brasil, em 2016, li o poema “Fantasmas da esperança”, dedicado ao ambientalista capixaba Paulo Cesar Vinha (in memoriam).



Livro: Colóquio das Árvores
Autor: Renata Oliveira Bomfim
Número de páginas: 220
Ano: 2015 
Gênero: Poesia
Preço: R$ 45,00
Editora: Chiado
Isbn: 978-989-51-3975-0
Onde comprar: clique aqui

- Minha Leitura Em dia: ‘’Estou lendo, nesse momento, Amor Poesia Sabedoria, do Edgar Morin.”

O artigo publicado é de inteira responsabilidade exclusiva de seu autor e não representam as idéias ou opiniões do site EMDIAES.
 
 
 

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