842 20/06/2020 às 17:44 - última atualização 22/08/2020 às 12:24

Coluna: “Literatura é uma educação familiar não muito difícil de se fazer, basta ser incentivada pela leitura”

Por Joacles Costa

Redação Em Dia ES

Nascimento | “Literatura é uma educação familiar não muito difícil de se fazer, basta ser incentivada pela leitura”
Literatura é uma educação familiar não muito difícil de se fazer, basta ser incentivada pela leitura. Foto Divulgação
Olá meus queridos leitores.

O escritor da nossa coluna de hoje é Jorge Luiz do nascimento que nasceu em Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro, no dia 01 de Outubro de 1960. Professor Pós-Doutorado em Letras Neolatinas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ e atualmente é Professor de Língua Espanhola da Universidade Federal do Espírito Santo. Tem experiência dentro da área de Letras, com ênfase em Letras, atuando principalmente nos temas: poesia, rap, literatura brasileira, literaturas hispânicas, Cortázar e crítica.

Quem é Jorge Nascimento? 

Por volta dos seis para os sete anos, el niño (o menino) morava numa casa simples junto com os pais e três irmãos mais velhos. Eram vizinhos de uma senhora que trabalhava numa grande editora de livros. Essa mulher possuía uma biblioteca muito grande e quando alguns livros apresentavam problemas de encadernação, a editora costumava jogá-los fora, entretanto, essa vizinha pegava os livros e os levava para a casa dela para reaproveitá-los, “eu sempre muito curioso, é claro não perdia a oportunidade de ir á casa dela para conhecer as novidades”, afirma. 

Foi a partir daí que o chico (o garoto) iniciou o contato com a leitura, mesmo sem saber ler, porém ficava olhando os livros e revistas de fotonovelas. Numa dessas “garimpagens” ele encontrou um livro muito interessante mas que não era o tipo de leitura convencional para criança. Era um livro de contos chamado Olhos de Cão Azul do escritor Gabriel García Márquez e na capa dele tinha uma caveira, coisa bem típica de Festival Indígena das Américas. 

“O mais engraçado dessa história é que especificamente esse livro chamou totalmente a minha atenção que, de imediato eu não entendi nada, mas deixei bem guardado e só depois de muitos anos é que fui abrir para lê-lo”, nos conta o escritor.

A iniciativa para entrar no mundo da poesia surgiu na escola, aproximadamente aos 13 anos, quando uma professora dele, que dava aula de comunicação e expressão, pediu aos alunos que escrevessem um texto que seria apresentado no Festival de poesias da escola. Nesse concurso, o melhor texto seria premiado. A empolgação do jovem foi tão grande para escrever que o fez com muita ligeireza. Entretanto, na hora de declamar a poesia, o tal menino maroto travou e perdeu totalmente a coragem de falar e ler aquela obra-prima para a “geral”. Deu nele aquele famoso “xiii amarelou”, talvez por muita timidez ou falta de experiência com a platéia mesmo. O pior da ocasião é que o rapaz sequer escolheu outra pessoa para apresentar a poesia no lugar dele. Com isso, o poema que falava de um lavrador de Quilombos, hoje Jorge o considera como “coisinha infantil”, nunca foi exposto ao público, ficando apenas rabiscado num pequeno pedaço de papel e gravado eternamente na memória do poeta iniciante. Sem frustrações. 

A grande sorte de nosso escritor, foi ter um pai que sempre o incentivava a ler e a estudar. Apesar desse velho pai não ter muitos recursos financeiros nem  estudos, sempre trabalhou em lugares relacionados à educação, ciência e cultura. Isso facilitou muito o ingresso do muchacho (garoto) no imaginário mundo literário. É claro que eu sei que em seu subconsciente há pergunta óbvia, caro leitor. O nosso personagem ganhava livros nesses ambientes intelectuais acadêmicos? Lugares esses em que se respira conhecimento e aprendizagem. A resposta é sem duvida Sim. Claro que ele ganhava livros e muitos livros de literatura por sinal, “eu sempre tive muito orgulho de ser um bom aluno que se dedicava nessa área de línguas”, relata.

Atualmente Jorge Nascimento é Professor de Língua espanhola na Universidade Federal do Espírito, trabalho esse que é realizado por paixão à Profissão e à Literatura, “eu sempre fiz disso a única Profissão que tive oficialmente na minha vida,” diz Nascimento. 

Jorge orgulha-se de ter participação em vários livros acadêmicos ao longe dos anos, contudo, ainda nesse ano de 2020 será publicada uma tese de doutorado dele, defendida há alguns anos atrás, sobre o autor argentino Julio Cortázar e que somente agora será publicada pela Editora da Universidade Federal do Espírito Santo (Edufes).

 No período de 2014 à 2018, Jorge escrevia textos para o Jornal Metro/ES. Esses artigos eram publicados a cada quinze dias, sendo distribuídos gratuitamente em diferentes regiões do Estado do Espírito Santo e em vários pontos estratégicos da Grande Vitória, tais como: Dentro dos veículos de transporte coletivo, estabelecimentos comerciais e nas Avenidas de maior circulação de pessoas. A repercussão desse trabalho foi tão interessante para quem lia, quanto para o colunista Jorge Nascimento que recebia muito retorno dos leitores e na maioria das vezes, eram de professores que utilizavam os textos em sala de aula.

Foi então que em 2018, a Editora Cousa publicou mil exemplares do livro VISAGENS que é a organização cronológica desses 145 textos escritos no jornal Metro entre os anos de 2014 à 2018 com temática variadas tais como:  racismo, feminicídio, questões das Cidades, opinião, poesia popular brasileira do Samba, rap e passando pela MPB.  Inclusive, essa formação poética dele vem muito de ouvir canções brasileiras. E foi através do livro Visagens que Jorge foi convidado para participar de muitas palestras e debates sobre o livro em escolas de educação para jovens e adultos e com público geral. Para fechar nosso assunto de hoje. O escritor nos deixa uma reflexão muito valiosa de que a “Literatura é uma educação familiar não muito difícil de se fazer, basta ser incentivada pela leitura.” Dale muchacho! 

Título do Livro: Visagens
Autor: Jorge Nascimento
Número de páginas: 141
Ano: 2018
Gênero: Poesia
Preço: R$ 39,00  
Editora: Cousa
Isbn:  9788595780590
Onde comprar: (27) 99956-0277  | email: editoracousa@gmail.com

- Minha Leitura Em dia: ‘’Estou lendo Último vôo do Flamingo - Mia Couto-Ed.Caminho”

Revisor de Texto: Max Maciel



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