298 27/09/2020 às 07:20 - última atualização 04/10/2020 às 13:48

Coluna: CEI | “Agradeço a todas as poucas pessoas que leem meus textos com atenção e fazem críticas fundamentadas.”

Por Joacles Costa

Redação Em Dia ES

Porventura a minha marca seja a multidisciplinaridade: formação e atuação nos campos da Filosofia, dos Estudos Literários e da Comunicação Social
CEI Agradeço a todas as poucas pessoas que leem meus textos com atenção e fazem críticas fundamentadas
O Professor e escritor Vitor Cei é Doutor em Estudos Literários, na área de concentração em Teoria da Literatura e Literatura Comparada, pela Universidade Federal de Minas Gerais, com doutorado-sanduíche no Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade Livre de Berlim.

Atualmente é Professor Adjunto do Departamento de Línguas e Letras e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Espírito Santo, Coordenador Adjunto do Núcleo de Estudos e Pesquisas da Literatura do Espírito Santo (Neples) e líder do Grupo de Pesquisa Ética, Estética e Filosofia da Literatura. Também é professor dos Mestrados em Estudos Literários e Filosofia da Universidade Federal de Rondônia. Tem experiência nas áreas de Filosofia e Letras, com ênfase em Estudos Literários.
 
Acompanhe abaixo a entrevista com escritor Vitor Cei:

Joacles Costa: Quais são as suas obras?
Vitor Cei: Eu costumo dizer que nunca escrevi um único livro. Eu escrevi uma dissertação de mestrado e uma tese de doutorado que foram publicadas: Novo Aeon: Raul Seixas no torvelinho de seu tempo (1ª ed. Multifoco, 2010; 2ª ed. Mondrongo, 2019) e A voluptuosidade do nada: niilismo e galhofa em Machado de Assis (Annablume, 2016). Eu coorganizei seis coletâneas de ensaios e artigos de vários autores (citarei apenas os nomes dos organizadores para não alongar demais a resposta): Ideias com pernas (Flor&Cultura, 2004), com Hudson Ribeiro; A literatura e a vida: por que estudar literatura? (Praia Editora, 2015), com João Guilherme Dayrell e Michel Mingote; Brasil em crise: o legado das jornadas de junho (Praia Editora, 2015), com David G. Borges; O que resta das jornadas de junho (Fi, 2017), com Leno Danner, Marcus Vinicius Xavier de Oliveira e David G. Borges; Direitos Humanos às bordas do abismo: interlocuções entre Direito, Filosofia e Artes (Praia Editora, 2018), com Leno Danner, Marcus Vinicius Xavier de Oliveira, Julie Dorrico e Fernando Danner; Ética, Estética e Filosofia da Literatura (Abralic, 2018), com Sarah Forte e Silvio Cesar dos Santos Alves. Meu último livro é uma coletânea de entrevistas com 81 escritores brasileiros contemporâneos: Notícia da atual literatura brasileira: entrevistas (Cousa, 2020), organizado em parceria com André Tessaro Pelinser, Letícia Malloy e Andréia Delmaschio. E eu também traduzi as escrituras de Aleister Crowley: Os Livros Sagrados de Thelema (Madras, 2018).

Joacles Costa: Todo escritor tem sua marca, algo que faz se destacar entre os demais. Qual seria a sua?
Vitor Cei: Considerando que eu nunca escrevi um único livro, eu não me considero escritor. Eu sou um professor universitário que desenvolve pesquisas, organiza eventos e publica livros com os resultados desses trabalhos individuais e coletivos. Porventura a minha marca seja a multidisciplinaridade: formação e atuação nos campos da Filosofia, dos Estudos Literários e da Comunicação Social. E nessas três áreas, uma diversidade de interesses: literatura brasileira (de Machado de Assis ao século XXI), literatura do Espírito Santo, política brasileira (da ditadura militar ao século XXI), a recepção da obra de Aleister Crowley na indústria cultural, dentre outros temas. Meus colegas de trabalho são profissionais admiráveis e não tenho a pretensão de me destacar mais do que eles. 

Joacles Costa: Como você reage a críticas?
Vitor Cei: Uma boa parte do meu trabalho é com crítica literária e cultural, então eu seria incoerente se não aceitasse críticas sobre a minha própria produção. Agradeço a todas as poucas pessoas que leem meus textos com atenção e fazem críticas fundamentadas, coerentes e consistentes. Quando eu submeto um texto para alguém ler, seja um amigo ou um parecerista anônimo, espero críticas que contribuam para a revisão ou reelaboração do texto. Como diz um banco de praça em Campinho, Domingos Martins: nunca se para de aprender. Em outros campos de atuação, como a burocracia acadêmica, que faço apenas por obrigação, com desprazer, não almejo a excelência e só aceito as críticas que ajudem a facilitar o meu trabalho. Se for dificultá-lo ainda mais, dispenso.

Joacles Costa: Qual é a responsabilidade que se tem ao escrever para um tipo de leitor?
Vitor Cei: Até hoje eu só publiquei textos para adultos, então a minha única preocupação em termos de responsabilidade é com a honestidade intelectual e a veracidade.  Como diria o Antoine Compagnon, em O demônio da teoria, o autor não controla o leitor. “O leitor é livre, maior, independente”.

Joacles Costa: Na sua opinião, qual o tipo de leitor mais difícil?
Vitor Cei: O mais difícil é ter leitores. O que seria um leitor difícil? O que é pouco amistoso ou sociável? O que é difícil de agradar? Na maioria das vezes eu escrevo para os pares, leitores especializados e exigentes. Escrevo esperando críticas e debates, que são raros. Um leitor que pode ser considerado “difícil” é o dogmático, que se acredita guiado por princípios incontestáveis e verdades absolutas. Dispenso esse tipo de leitor – não escrevo para eles. 

Joacles Costa:  Quando começa a escrever já têm a história toda pensada e esquematizada ou vai deixando a imaginação fluir à medida que coloca as palavras no papel?
Vitor Cei: Eu não escrevo histórias ficcionais. Quando vou escrever um artigo crítico ou teórico, ou um trabalho mais longo, como uma dissertação de mestrado ou tese de doutorado, costumo escolher um título e planejar o sumário antes de começar a escrever. Também costumo exigir isso de meus orientandos. Em um trabalho de pesquisa, não se pode deixar a imaginação fluir solta. O planejamento prévio é necessário – mesmo que o resultado seja diferente do que foi proposto inicialmente.

Joacles Costa: Qual das tuas histórias te define?
Vitor Cei: Definir significa determinar limites, fixar um sentido final. Eu pretendo viver pelo menos mais uns trinta anos, então ainda é cedo para me definir (risos).

Seu livro mais recente: Notícia da atual literatura brasileira
Autor: Vitor Cei


 
O livro “Notícia da atual literatura brasileira: entrevistas” apresenta entrevistas com 81 escritores de todas as regiões do país, ofertando subsídios para uma futura história da vida literária das últimas décadas, consolidando um material de referência destinado tanto aos atuais quanto aos futuros leitores e pesquisadores da literatura brasileira.

Os organizadores, Vitor Cei (UFES), André Tessaro Pelinser (UFRN), Letícia Malloy (Unifal) e Andréia Delmaschio (IFES) elaboraram perguntas com o intuito de lançar luz sobre o processo criativo dos autores e suas opções estéticas, além de temas e traços marcantes em suas obras. Indicam-se, assim, caminhos interpretativos ou futuras possibilidades de abordagem. De outro lado, também foram privilegiadas questões que perscrutam os posicionamentos dos escritores frente à arte literária produzida na contemporaneidade, bem como à sociedade e à política no Brasil e no mundo.

Ano: 2019
Páginas: 494 
Preço: R$ 59,00 
Editora: Editora Cousa
Onde Comprar:  Editora Cousa

O que você está lendo no momento?  
Vitor Cei: Eu comecei a ler Pretendo fechar os olhos assim que puder, contos de Marília Carreiro, recém-lançado pela editora Pedregulho. E encomendei três pré-lançamentos: Obra Reunida, de Joanim Pepperoni, PhD, Círculo Poetizado, de Hudson Ribeiro, e Combiousa, antologia da Cousa com vários autores.

Revisão de texto: Max Maciel

O artigo publicado é de inteira responsabilidade exclusiva de seu autor e não representam as idéias ou opiniões do site EMDIAES.
 
 
 

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