341 25/10/2020 às 15:46 - última atualização 01/11/2020 às 14:09

Coluna: Abreu | “Conheci o mundo pela literatura. Ela me impulsionou a viajar e ...

Por Joacles Costa

Redação Em Dia ES

conhecer lugares onde algum escritor viveu, morreu, sonhou.” 
Abreu Conheci o mundo pela literatura. Ela me impulsionou a viajar e conhecer lugares onde algum escritor viveu, morreu, sonhou
Ester Abreu Vieira de Oliveira nasceu em Muqui – Espirito Santo em 31 de janeiro de 1933 é Professora e escritora, possui graduação em Letras Neolatinas pela Universidade Federal do Espírito Santo - Vitória (1960), Especialização em Filologia Espanhola - Madri (1968) Mestrado em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná - Curitiba (1983), Doutorado em Letras Neolatinas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1994) e Pós-Doutorado em Filologia Espanhola: Teatro Contemporâneo-UNED - Madri (2003).

Atualmente é aposentada e Professora Efetiva - (Voluntaria) e Emérita da Universidade Federal do Espírito Santo - UFES - CCHN - DLL - PPG Mestrado e Doutorado em Estudos Literários. Foi professora e diretora de Pesquisa e Pós-Graduação (DIPEPG) do Centro de Ensino Superior de Vitória. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Línguas Estrangeiras Modernas, com estudos sobre a poesia, o teatro e a narrativa das literaturas hispânicas e literatura brasileira. Pertence à Academia Espírito-santense de Letras, à Academia Feminina Espírito-santense de Letras, ao Instituto Histórico, Geográfico do Espírito Santo, Associação Brasileira de Hispanista, Asociación Internacional de Hispanista, à AITENSO. Coordenou eventos e publicações de obras e participa de conselhos editoriais no Brasil e no exterior.

Acompanhe a entrevista com a escritora Ester Abreu
 
Joacles Costa: Quais são os seus livros publicados?
Ester Abreu: O Coelhinho e a Onça / El Conejito y el Jaguar (2019), Literatura infantil, Editora Cajína, O lagarto amedrontado do jardim / El lagarto amedrentado del jardín (2018), Uma família Feliz, Portugês e Espanhol, Editora Formar (2019) Uma Família Feliz, Português e Pomerano, Editora Formar (2019, As Aventuras de um Domingo no Parque, conto, Editora Jordem  (2020) Literatura infantil, A poética de Santiago Montobbio: análise e tradução (2017), Relações entre Don Juan, Eros e Thanatos (2017), Metapoemas – A Poesia em torno de sua própria tessitura (2017), Ensaio sobre a dramaturgia: do clássico ao contemporâneo (2016), Inesperada canciones (2016), Teatro clássico espanhol: quatro grandes dramaturgos: Torres Naharro, Lopes de Rueda, Lope de Vega, Tirso de Molina (2016), Aspectos de possessivo em português e em espanhol (2014), Poesias fotográficas – flashes de uma vida (2014), Presença de Judith Leão Castello Ribeiro (2014), Bibliografia, Estudio comparativo de la sintaxis verbal portuguesa y española con especial atención al uso brasileño (2013), O mito de Don Juan: sua relação com Eros e Thanatos (2013), Antologia Caminhos Literários no Espírito Santo: Veredas Literárias: patronas e acadêmicas (2013), Vitória: poesia e história (2013), La casa de Lúculo o el arte de comer / A casa de Lúculo ou a arte de comer (Tradução bilíngue) (2013), O teatro se subjuga ao poder? Ideias esquartejadas sempre renascem (2011), Para uma lectura del teatro actual. Estudio de PANIC de Afonso Vallejo (2010), Recordações de Muqui – Cidade Menina – em prosa e verso (2010), Salmos de inquietação e eclosão do ser (2006), Para no olvidar: una reunión de vida en homenaje (2005), Estudio de verbos españoles. Con ejercicios (2004), História em verso (2004), Ultrapassando fronteiras em metapoemas (2004), Momentos. Vitória (1988), Ibéria dividida (1988), Português para estrangeiros: 31 lições (1981), Los judios en Espírito Santo, Epifanias (como se fossem – Crônica), Editora Formar, (2020), A Mulher Escritora no Espírito Santo e a Academia Feminina Espírito-santense de Letras, Academia Espírito-santense de Letras,(2019), enlaces Poéticos (Antologia AFESL) Café & Livros,( 2020),No limiar da Imortalidade, IHGES, (1998), Trevo de Quatro Folhas, Haikais,  IHGES, (1999), Sorriso de persona. Estudos sobre teatro e recepção, Edufes (2014), Miguel de Cervantes Saavedra. Retablo de las Maravillas / Retábulo das Maravilhas (Bilíngüe) Embajada de España em Brasil - Consejería de Educación. (2004). Além dessas obras tenho participações em antologias, revistas, anais de congresso e jornais.

Joacles Costa: Como você foi estimulada a desenvolver o gosto pela escrita? 
Ester Abreu: Desde menina escrevia pequenas composições às vezes pedidas no colégio. No terceiro ano primário com 9 anos, participei até de um concurso de redação. Escrevia cartas para meus avós. No curso Ginasial e, principalmente no Curso Normal, nas aulas do Professor Lugon, no Colégio de Muqui, quando faltavam poucos minutos para terminar as aulas ele dava uma atividade relâmpago. Em cinco minutos tínhamos que desenvolver um tema. Na próxima aula ele levava os textos e sempre os meus eram escolhidos para leituras. Ficava muito orgulhosa porque ele depois elogiava a meu pai. E para mim era uma glória ouvir o comentário de meu pai. Mas as cartas que escrevia e recebia de meu tio Sadinho, me estimularam a fazer Letras para melhor ter conhecimento de português e francês. Durante o curso de Letras os professores davam tarefas de pesquisas, que resultavam em ensaios. As notas aferidas dos textos serviam só para entrar em exame, mas desenvolvia a escrita, pois ela sempre só vem acompanhada pela leitura e, claro, por uma boa crítica. Então Joacles, o gosto pela escrita pode-se dizer que desenvolveu por duas vertentes paralelas: estímulos dos professores e leituras.

Joacles Costa: Quando o escritor escreve, a palavra adquire realidade?
Ester Abreu: Realidade é por si só tudo o que existe, o visível e também o que se encontra no íntimo do Ser. Sendo assim o que o escritor escreve é realidade. Ainda que o mundo seja diferente do visível é uma realidade da palavra escrita que veio da mente do escritor. E o leitor vai questionar aceitar ou negar ou duvidar do exposto pelo escritor. O autor propõe um jogo de símbolos e o leitor fica a cargo de descobri-lo. A impressão que o leitor tem é o verossímil na literatura, e o que concebemos como realidade. O autor limita-se a registrar uma realidade, não a representá-la. Ele seleciona o que ouviu, viu, por meio de recordações, de temores, de previsões, de sua realidade interna e o leitor a recria. Exemplo clássico são os gigantes vistos, aumentados com o fermento imaginativo de Cervantes e imaginados e vistos por Dom Quixote.

Joacles Costa: Como preparar os intelectuais do amanhã?                      
Ester Abreu: A atualidade está muito visual? O mundo virtual domina e é enriquecedor. Há bate-papos literários, há lives, facebook, instagram, e-books, filmes, show, televisão, várias formas de se informar, crescer intelectualmente, mas os livros não contêm folhas mortas. São páginas e páginas elaboradas linhas por linhas com conteúdos que não podem ser descartáveis. Assim o intelectual se formará folheando livros e procurando recompor ideias em folhas de papel.   

Joacles Costa: Por que você não queria ser professora?
Ester Abreu: Como sou tímida, e tenho me esforçado para dominar esse medo de me comunicar em público, não queria ser professora. Para não ter que enfrentar pessoas diante de mim. Pensava em fazer contabilidade ou direito, desde que fosse para trabalhar só em escritório. Mas minha mãe me falou que eu poderia fazer o Curso Normal, ir trabalhar como professora durante dois anos, e, depois, ganhar uma bolsa de estudos para fazer um curso para Professora de Educação Física, em Vitória. A minha professora de Educação física era muito bonita e minha prima, e de fazer exercícios físicos gostava. Assim com esse “engambelo”, fiz o exame de seleção.  Mas, quando comecei a dar aulas em escola rural e comecei a amar as crianças e entusiasmar-me com o milagre da aprendizagem de crianças e de adultos, fui-me entusiasmando pela profissão. É maravilhoso ver os olhares amigos e ouvir a leitura e ler a escrita de adultos e crianças que ali entraram sem nada saber. Fui me entusiasmando cada vez mais em procurar transmitir o que sabia para o outro. É uma doação, mas muito mais recepção. No magistério pude cada vez mais aprender para poder transmitir.
 
Joacles Costa: O escritor é aquilo que lê e vive?
Ester Abreu: Inegavelmente sim. Parodiando Borges em “El jardín de senderos que se bifurcan”, explanamos que o escritor vive num caminho que se subdivide de acordo com as suas leituras. Por meio dela seu conhecimento se amplia e as possibilidades de escrever ampliam. Pois todo o cabedal escrito é produto de sua vivência e de suas leituras. Como uma matriosca é o produto do escritor. Num livro se encaixam muitos outros livros e vida. 

Joacles Costa: O que a sua literatura representa para o estado Espírito Santo?
Ester Abreu: Essa pergunta é capciosa. Faz-nos voltar para nós criticamente. Primeiro porque a literatura não representa o Estado do Espírito Santo, ela faz parte de uma literatura do Brasil, país de diversidade geográfica, cultura, raça e literatura. Depois como minha produção literária é eclética: com livros didáticos, de poesia, de tradução, de ensaios, de crônicas, de memória e infantil, pode-se dizer que esta variedade acompanha a essência brasileira.

Joacles Costa: Quais os mundos que a literatura te levou?
Ester Abreu: Conheci o mundo pela literatura. Ela me impulsionou a viajar e conhecer lugares onde algum escritor viveu, morreu, sonhou. Lugares, por exemplo, onde visitei devido às leituras: Machu Picchi depois que li de Pablo Neruda El Canto General, La Coruña, levada pela Pardo Barzan, Las Gran Canarias por Galdós, Santander, por Pereda. Soria, por Antonio Machado, Oviedo pela La Regenta, e assim fui conhecendo geograficamente, mas também levada pelas leituras vi o sol da meia noite, e muitos e muitos países distantes e culturas diversas.

Título: EPIFANIAS – COMO SE FOSSEM CRÔNICAS
Autor: Ester Abreu Vieira de Oliveira

 
EPIFANIAS – COMO SE FOSSEM CRÔNICAS reúne textos informativos (quase ensaios), crônicas e poesia. A obra contém um conteúdo rico, diversificado e tem o livro como uma fonte de consulta. O leitor jovem ou não mergulha num mundo de lembranças de causos, de impressões, de situações familiares, de temas variados, algumas vezes apoiados em citações que oferecem ao leitor estímulo a conhecer a obra citada.  São Crônicas reflexivas que fazem uma visão panorâmica da literatura desde os tempos medievais ao contemporâneo. O livro apresenta textos de autores com os quais Ester trabalhou ao longo da vida profissional em sala de aula e conta uma parte da Infância e Juventude dela em Muqui – Espírito Santo. O livro termina com alguns poemas dedicados à Muque, cidade natal da escritora.  

Ano: 2020
Número de páginas: 207 páginas
Preço: R$ 45,00
Onde comprar: Lia Noronha, através do contato (27) 99776-1384 ou por e-mail: lianoronha2010@gmail.com

Leitura Em Dia: O que você está lendo no momento:  Estou lendo Anjos e diabos do Espírito Santo de José Carlos Mattedi, pois sempre procuro ler livros de acadêmicos. Mas o que estava rerererelendo pela manhã eram poemas de Juan Ramón Jiménez.

Revisão de texto: Max Maciel.

O artigo publicado é de inteira responsabilidade exclusiva de seu autor e não representam as idéias ou opiniões do site EMDIAES.
 
 
 

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