Rachel Poubel

Por Rachel Poubel

Bacharel em Direito, Administradora, Terapeuta para Mulheres, Hipnoterapeuta e Organizadora do Movimento Mulher de Identidade. INSTAGRAM: @rachel_poubel

Por Rachel Poubel

Bacharel em Direito, Administradora, Terapeuta para Mulheres, Hipnoterapeuta e Organizadora do Movimento Mulher de Identidade. INSTAGRAM: @rachel_poubel

Não seria a mulher um pouco pai também?

Em datas comemorativas, quando as propagandas são lindas e o apelo é forte, lá está o esforço de uma mulher, muitas vezes ignorado. Muito se fala da importância do pai no Dia dos Pais e também na ausência dele, enquanto a mãe se desdobra para que o filho não sinta sua falta.

Eu hoje quero falar com a mãe que está lá com o pai e os filhos juntos. Quantas vezes essa mulher anula o que pensa realmente para trazer a “paz” em casa?

Diante dos gritos do marido, implora calma. Diante dos surtos imotivados de “homem é assim mesmo”, sorri para os filhos e diz que está tudo bem, mesmo destroçada por dentro. Diante da necessidade da família toda, que é vista por esse chefe como inútil, aceita e diz: melhor ficar quieta para não arrumar briga.

Por trás da maioria dos pais bem-sucedidos tem uma mãe que segura as pontas, entrete os filhos para evitar que vejam o pai chegar em casa bêbado, para que não percebam o quanto ausente ele realmente é.

Quando há um problema na escola, a mulher tem de dar um jeito. Afinal, sempre disseram que a responsabilidade é dela.

Quando o filho está doente, é ela que abandona tudo para cuidar. Quando alguém tem de largar a carreira para cuidar do filho, esse alguém é a mulher.

Quanta vezes você já viu ou ouviu falar de um pai que perdeu um dia do trabalho para cuidar do filho? Talvez algum, raro. Mas e a mulher? Sempre!
Mulher, o bem-estar de toda família não é responsabilidade só sua. Cumpra seu papel, mas divida a carga de cuidar, educar e estar presente. Fale como se sente diante de cada situação. Fale, mesmo que este homem finja que não ouve.

Exerça o autocuidado, para que, se seu filho se for para o mundo, fique uma mulher inteira, e não retalhos e uma pessoa que não sabe nem a razão de existir.

Seja uma mulher de identidade, comemore os dias com sua importância. Não se prenda às datas comemorativas. Você sabe o que merece pelos seus esforços.
 
RACHEL POUBEL
Terapeuta para mulheres e organizadora do coletivo Mulheres com Identidade

Mulheres e seus brinquedos depois de adultas

Hoje eu falarei com você sobre brinquedos, mas não é qualquer brinquedo. São brinquedos sexuais, eróticos. Já ouviu falar de algum? Já experimentou?

Você, mulher casada, sabia que esses brinquedos podem não apenas divertir uma relação, mas também ajudar a salvá-la?

Se você usa brinquedos sexuais, talvez já saiba disso. Mas para muita gente, sabemos que é um grande tabu. Por causa do machismo, muitas mulheres sequer cogitam a possibilidade de usar um brinquedo, pois tem medo de ferir a masculinidade do marido. Essa situação só começou a mudar de um tempo pra cá, com o aumento de filmes que falam sobre o assunto e também com a expansão de vendedores porta a porta, comercializando esse tipo de produto.

Aos poucos, o consumo foi aumentado muito. Mas isso não impediu que muitas mulheres sequer conhecessem brinquedos eróticos, quanto mais comprá-los. Muitas argumentam que seus companheiros não aceitam nem ouvir falar, muito menos introduzir uma coisa diferente, um brinquedinho, na relação dos dois. Mas é interessante refletir que talvez seja isso que falta em muitos casamentos: um tempero a mais, uma renovada, algo mais ousado.

Mulher, não caia na mesmice. A rotina pode destruir seu casamento; e se permanecer nela, pode destruir você também, sua autoestima, sua fortaleza emocional e sua esperança. Use sua imaginação e crie algo diferente, pois é isso que fará pulsar novamente aquele desejo ardente de ser mulher.

Até acontece de muitas mulheres chegarem para mim com a curiosidade de conhecer os tais brinquedos adultos. Contudo, param no medo de começarem, não sabem sequer como falar para o marido. Mas calma, pois existe um jeito mais fácil de resolver isso.

Para quem decidir conhecer os tais brinquedos eróticos, comece a introduzir coisas que vão dar prazer para os dois, não só para um. Converse com seu parceiro sobre o que dá prazer para ele também. Isso despertará a curiosidade dele e será um convite para que entre na brincadeira. Quem sabe você até esteja pensando errado sobre ele, sobre o que acha e como reagirá, enquanto isso poderia ser um momento de aumento do prazer dos dois.

Não tenha vergonha nem se limite. Se você sabe que essa prática pode movimentar um casamento que está parado, sem brilho e que declina cada vez mais, seja uma mulher de identidade e procure também o que te dá prazer. Assim você conhecerá as novidades, para sair da mesmice, e investirá no seu relacionamento também.

RACHEL POUBEL
Terapeuta para Mulheres, organizadora do Coletivo Mulheres de Identidade.

Lugar de parentes não é sempre na sua casa

Seus parentes também não saem de dentro da sua casa? Sempre tem alguém que não deixa você ficar a sós com seu cônjuge? Isso é um problema que você precisa resolver o mais rápido possível.

Se você percebe que, todos os dias, há sempre alguém visitando sua casa e que perde a noção da hora, ligue o alerta. Isso é um problema que pode minar seu casamento, até o ponto de destruí-lo.

O casal precisa de privacidade, e isso não é um desejo, mas sim uma necessidade íntima. Se na sua casa não há privacidade entre o casal, vocês não conseguem passar um final de semana inteiro sequer sozinhos, apenas vocês, na própria casa, sem ninguém visitando ou interrompendo de alguma forma, seu problema é mais grave do que imagina. E sim, precisa dar um jeito de impedir essa intrusão excessiva.

Não estou falando de abandonar a família ou que família não é importante. Nada disso. Mas é fato que o casal precisa ficar sozinho para aguçar sua intimidade, reconhecer sua peculiaridades, construir uma vida a dois. Só os dois.

Muitas vezes, infelizmente é algo cada vez mais comum, vimos casais recém-casado ou até com muitos anos de casados não ter sua identidade de casamento porque a família está o tempo todo ali, quase como sombra. Assim, não há regras.

Alguns dizem: "Ah, mas eu sou mãe, eu posso ficar, tenho direio". Será? Quando ouço esse discurso, logo me vem à mente o quão mal essa mãe faz, talvez sem perceber. É para isso que precisam desse alerta, porque talvez não percebam.

Já ouvi de mães o seguinte: "coloquei no mundo, pois vai ter que me aceitar, terá que me levar junto, até nas viagens também". Neste momento, o que era para ser apenas uma visita prazerosa e nostálgica se torna um peso terrível, com o constrangimento de dizer para ir embora.

Não pode haver essa mistura entre o casal e seus parentes. Todos precisamos de momentos sozinhos, sobretudo no matrimônio.

A consequência é rápida: faíscas e piadas começam a surgir, diante do constrangimento gerado. Já vi esposas dizerem assim: "meu marido não gosta da minha mãe". Outras vezes, é a sogra quem diz: "filha, seu marido não gosta de mim, não sei por que”. Mas a realidade é que muitos parentes não percebem que estão atrapalhando a evolução do casal, ao insistirem em não sair da casa da pessoa!

Gente, deixem o casal respirar. E você mulher, adote uma posição firme de mulher casada e não permita tanta interferência. Você precisa ter uma conversa amável, porém bastante firme com sua mãe e demais parentes, colocando regras. Essa conversa deve mostrar o quanto você já cresceu, que tem a sua vida e que ela atrapalha estando em sua casa todos os dias. É possível ser amável, porém com regras para atrapalhar seu casamento. Atitude!

RACHEL POUBEL
Terapeuta para Mulheres, organizadora do Coletivo Mulheres de Identidade

Mulheres que perdem uma vida de prazer pela prisão dos tabus

“Como é bom gozar!” Sentiu o impacto dessa frase logo no começo do texto? Para muitas mulheres, apenas ler uma frase como essa já causa pavor, como se estivessem fazendo algo proibido. Elas escondem o livro, o site no computador, a revista com a imagem ousada, o vídeo no celular e até tampam o áudio no podcast.
 Então me pergunto: por que essa prisão resiste tão fortemente se faz mal?

Agora vamos imaginar o universo masculino: falar uma frase dessa, acompanhada de uma boa risada ou uma cara de prazer já não causa tanto impacto. Sabe o que isso significa? Que nossa mente foi condicionada a condenar o prazer feminino, a ponto de gerar pânico em muitas mulheres por simplesmente cogitar tal necessidade.

Isso é uma prisão com consequências altamente danosas. Essa limitação imposta ao longo de anos escravizou a personalidade feminina, roubou sua identidade, trancafiou sua liberdade e coisificou sua presença. Sim, se a mulher não tem liberdade para ter prazer em seu momento de intimidade, qual seu papel na hora do sexo? Como ela se sente quando tenta se autoconhecer? Como fica sua mente, seu amor próprio e sua autoestima? Tudo destruído ao longo dos anos.

A prisão dos tabus é muito mais pesada para a figura da mulher. Existe uma pressão social que estigmatiza mulheres que falam de sexo, que se colocam como mulheres livres, que abdicam da necessidade de um homem para serem felizes e que se vestem, se pintam, falam e agem como bem desejarem. Os estigmas são tão fortes que geram marcas por gerações, passando de mãe para filha, num ciclo de vícios que demora para quebrar.

Tabus existem para serem dissolvidos, é o processo natural da evolução de pensamentos e comportamentos sociais. Sem a quebra dos tabus, corações e mentes são envenenados, ocasionando mulheres infelizes, depressivas, frustradas sexualmente, amarguradas com a vida que não viveram, azedas pela falta de amor próprio e sem qualquer perspectiva que dê esperança às descendentes. É isso que você quer perpetuar às suas filhas? Esse ciclo doentio precisa acabar. E isso é papel nosso também, mulher, começando por não se calar!

O diálogo aberto é o primeiro passo para quebrar essa prisão. A educação sexual instrui, gera responsabilidade e orienta sobre os caminhos para uma vida muito mais saudável. A parceria com sua filha, sobrinha, neta ou amiga dá a chance de um porto seguro diante dos desafios imprevisto da vida, para que ninguém se sinta sozinha e abandonada quando mais precisar. Mas tudo isso só é possível se não houver o tabu que prejulga, que condena a moral da mulher antes de conhecê-la e que rotula sua feminilidade pelo simples fato de ela ser quem é.

Mulher, você tem o poder de destrancar os cadeados dessa prisão e viver uma vida com muito mais prazer. Dialogue, busque conhecer sobre saúde, sexualidade e direitos femininos, aja. 
Óbvio que não é fácil, diante da sociedade machista e medrosa, mas saiba que é possível começar. É o primeiro passo. Só não deixe os tabus superarem sua chance de tentar. Goze a vida!


RACHEL POUBEL
Terapeuta para Mulheres, organizadora do Coletivo Mulheres de Identidade

A voz mulher precisa ser ouvida

Por muitos anos, a mulher não teve sua voz respeitada. A ela não era dado o direito de se expressar, a autonomia de pensar, a chance de se posicionar, nem mesmo a ousadia de questionar. A história evidencia problemas gravíssimos decorrentes desse contexto, desde mulheres perseguidas por tentarem quebrar essa prisão, ou até mesmo assassinadas por não abcederem a tais regras sociais.

Até nas leis, a mulher por tempos foi subjugada. Não tinha poder de voto, nem direito que superasse uma vontade do marido. Diante disso, a força da palavra masculina sobre a mulher era não somente aceita na sociedade, mas também legitimada por políticos, juízes e até religiosos.

Trouxe tudo isso para lembrar que, hoje, apesar de ainda haver muito contexto machista e ameaçador, a mulher tem o direito de falar e de ser ouvida. Isso é importante ser reforçado, porque nem sempre as próprias mulheres se lembram de como essa luta foi dura para se chegar até aqui.

Talvez por costume, no meio de uma sociedade ainda tão massacrante, muitas mulheres reconhecem seu direito de falar, mas não tem a prática dessa atitude. São casos diários que se escondem por trás de mentiras, disfarces ou simplesmente mudez voluntária, quando deveria gritar sua posição.

Quanto é violentada em casa, muitas sequer vão à delegacia. Se vão à delegacia num ímpeto de justiça, muitas inventam que caíram da escada quando são questionadas pela autoridade. Se são assediadas na rua ou no trabalho, muitas preferem se calar a perder o emprego ou chamar atenção demais numa confusão. Se são rebaixadas em qualquer outro ambiente, muitas chegam a dizer que isso é normal e que precisam se esforçar mais.

E assim, muitas vão normalizando esse “cala a boca” que há tantos anos mulheres lutam para extinguir. Se passam a achar tudo isso normal, passam também a não falar quando algo lhe incomoda, a não se expressar quando não concordam, a aceitar quando lhe impõem algo, a admitir que merecem estar abaixo. Não, isso não pode mais acontecer.

São nas pequenas atitudes do dia a dia que você acostuma sua vida inteira. Então, se você aceita se calar em pequenos episódios, não criará resistência quando sua identidade lhe for arrancada e seus sonhos apagados.

Mulher, exerça seu papel de cidadã com voz ativa. Hoje, você tem direitos que toda a sociedade deve respeitar. Essa mudança de mentalidade começa com suas pequenas ações, seja falando quando discordar de um colega de trabalho, professor, chefe ou marido; seja colocando sua posição quando perceber que estão diminuindo sua visibilidade, voz e pensamento.

Fale, porque ficamos muitos anos sem a liberdade de falar. Expresse-se, porque muitas antes nós lutaram para que hoje isso fosse possível. Posicione-se, porque você também criará um mundo ainda melhor para quem virá. Mas nunca, nunca mais, cale-se só porque foi criada assim, porque tem medo de ser diferente ou porque está em um meio masculino. Sua voz é hoje um de seus grandes poderes. Exerça-o.

Rachel Poubel
Terapeuta para Mulheres, organizadora do Coletivo Mulheres de Identidade, 

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