387 20/09/2020 às 13:56 - última atualização 26/09/2020 às 23:49

Coluna: Grijó | “Sou escritor e professor de literatura de modo que a literatura é meu prazer”

Por Joacles Costa

Redação Em Dia ES

"Todos os elementos de uma narrativa têm seu grau de dificuldade, creio. Depende muito de como o autor se relaciona com essa dificuldade"
Coluna: Grijó Sou escritor e professor de literatura de modo que a literatura é meu prazer
Francisco Grijó nasceu em Vitória em 1962. É professor de Gramática e Literatura Brasileira. Leciona desde os anos 80. Escritor, sem se prender a um gênero literário específico, começou a escrever em 1987, com a publicação de Diga adeus a Lorna Love, contos, numa coedição entre a FCAA e a editora Anima, Rio de Janeiro.  A partir de então não parou mais.

É gestor, autor de diversos livros, escreveu a biografia da Banda Mamíferos, que virou a base do filme Diante dos Meus Olhos.  Atualmente está secretário de Cultura de Vitória (ES), onde promove a revitalização da Lei Rubem Braga e dos espaços culturais da cidade. 

Acompanhe abaixo a entrevista com escritor: Francisco Grijó

Joacles Costa: O que é a literatura para a sua vida?
Grijó: Bem, sou escritor e professor de literatura, de modo que a literatura é meu prazer e é o que mantém a mim e a minha família.

Joacles Costa: Qual a importância do escritor para a sociedade?
Grijó: O escritor, assim como o artista de modo geral, é aquele que consegue (ou pelo menos tenta) traduzir o mundo e a realidade para aqueles que, ligados a outras áreas, têm outra maneira de ver o mundo e essa mesma realidade.

Joacles Costa: Quais são os seus livros publicados? 
Grijó: Publiquei 8 livros, até agora. Livros-solo, ok?
Diga Adeus a Lorena Love, contos, 1987
Um Outro País para Alice, contos, 1989
Com Viviane ao Lado, romance, 1995
Licantropo, contos, 2001
Histórias Curtas para Mariana M, romance, 2009
Todas Elas, Agora, contos, 2013
Os Mamíferos - crônica biográfica de uma banda insular , biografia, 2016
Fama Volat, romance, 2019

Joacles Costa: Entre os seus livros puclicados, algum te cativa de forma especial?
Grijó: Tenho uma relação especial com Histórias Curtas para Mariana M

Joacles Costa: Que tipo de literatura você não faria?
Grijó: Eu não escreveria textos que falassem sobre morte de crianças ou violência contra elas.

Joacles Costa: Você já sentiu algum tipo de preconceito dentro do meio literário?
Grijó: Não, nunca senti preconceito. Não que eu me recorde. Não dirigido a mim.

Joacles Costa: No processo de criação, o que considera mais difícil: determinar os rumos da história, escrever o texto de forma clara ou apresentar os personagens com concisão e profundidade?
Grijó: Todos os elementos de uma narrativa têm seu grau de dificuldade, creio. Depende muito de como o autor se relaciona com essa dificuldade. Não se pode ter pressa nem ansiedade no ato de criar.

Joacles Costa: A partir de sua trajetória pessoal, como você vê o desenvolvimento do campo profissional, literário e acadêmico no Brasil, levando-se em conta as diferentes camadas desse processo? 
Grijó: Lamentavelmente a ideia de escrita criativa está distante do seio acadêmico formal. Não é algo curricular, o que restringe bastante a atuação social e econômica da produção literária. Mesmo assim, a literatura continua arrebanhando adeptos para que ela mesma se perpetue. Quando comecei a escrever, havia apenas uma editora, em Vitória, a editora da UFES, a antiga FCAA. Dois livros meus saíram por esse canal. Aos poucos, a produção editorial foi aumentando, bem como o aparecimento das livrarias e das oficinas literárias. Surgiram as leis de incentivo municipais e a coisa andou bem. A internet ajudou a divulgar bastante; as redes sociais impulsionaram a literatura, proporcionando formas de veiculação que até então desconhecíamos.

Joacles Costa: Segundo sua opinião, o que falta para o povo brasileiro consumir bons livros?
Grijó: Leitura e paixão por ela vêm, geralmente, do estímulo familiar. Pais e mães que amam os livros geralmente passam esse amor para os filhos e assim por diante. A escola precisa fazer sua parte. Professores precisam saber estimular a garotada a ler, e a gostar de fazer isso. Tem de haver cumplicidade entre família e escola. Um não pode contrariar o outro. É necessário que haja boas traduções, bons títulos, boa produção local e estrangeira. E são necessários preços acessíveis, não somente para o leitor, mas remuneração para toda a cadeia produtiva.

Seu livro mais recente: Fama Volat


 
O ponto de partida é um duplo homicídio ocorrido na Praia do Canto, com o assassinato de um casal de mulheres, filhas de pessoas das elites capixabas. Uma delas é bem sucedida marchand radicada em São Paulo, que intermedia a venda de obras de arte de grande valor. Uma jornalista investigativa, um grande empresário exportador de café, a dona de uma galeria e um grafiteiro em evidência no mundo das artes estão entre os personagens que aparecem pela trama, na qual o leitor está convidado a tentar entender junto ao investigador os mistérios do caso. Uma pista leva a procurar saber sobre Fama Volat, uma organização secreta que operaria nesse mundo descrito na obra de Don Thompson, em que milionários compradores, vendedores, galeristas e artistas trocam obras de arte por milhões de dólares. Mito, lenda urbana ou realidade? Existiria mesmo tal sociedade secreta? E se existisse, faria algum sentido que tivesse relação com uma cidade pequena e aparentemente irrelevante para o mercado mundial das artes como Vitória?  Numa trama que passa por Johann Sebastian Bach, Luís Buñuel e Al Capone, a capital capixaba pode ter também relações diretas ou indiretas com o mundo de dinheiro, poder e vaidade - elementos que juntos muitas vezes provocam crimes misteriosos - que circunda as grandes artes. 

Autor: Francisco Grijó
Ano: 2019
Assunto:  Um romance policial envolvendo tráfico de obras de arte em Vitória, ES, e em outros locais.
Páginas:  222 pgs.
Preço: R$ 38,00 (na loja virtual da Editora Cândida)
Editora: Cândida
Onde comprar? Editora Candida e Amazon

Leitura Em Dia 
O que está lendo no momento? Estou lendo Armagedom em Retrospecto, de Kurt Vonnegut Jr. 

Revisão de texto: Max Maciel

O artigo publicado é de inteira responsabilidade exclusiva de seu autor e não representam as idéias ou opiniões do site EMDIAES.
 
 
 

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